O eleitor catarinense deu um recado duro a dois ex-governadores: currículo e poder acumulado não garantem voto. Raimundo Colombo e Carlos Moisés tentaram chegar à Câmara dos Deputados e ficaram pelo caminho. Trajetórias diferentes, mas um mesmo resultado: as urnas fecharam a porta.
Colombo tem mais de quatro décadas de vida pública. Foi três vezes prefeito de Lages, deputado estadual e federal, presidente da Celesc e da Casan, senador e governador por dois mandatos, conquistados no primeiro turno em 2010 e 2014. Poucos políticos catarinenses reuniram tamanho patrimônio eleitoral. Poucos também assistiram a um esvaziamento tão expressivo.
Há um detalhe revelador: suas três vitórias majoritárias estaduais tiveram o apoio do MDB, com papel decisivo de Luiz Henrique da Silveira na construção dessa trajetória. Sem essa aliança, perdeu as disputas pelo Senado em 2018 e 2022. Agora, com 54.545 votos, não conseguiu retornar à Câmara. Ficou na suplência, enquanto a cadeira do PSD foi conquistada por Julio Garcia. O capital político de ontem não sustentou a candidatura de hoje.
Carlos Moisés teve uma trajetória muito mais curta. Levado ao governo pela onda Bolsonaro de 2018, não conseguiu transformar aquela vitória em uma base eleitoral duradoura. Depois de perder a reeleição em 2022, recebeu apenas 33.712 votos para deputado federal. Para quem já comandou Santa Catarina, o resultado tem dimensão de encerramento de ciclo.
Na Capital, outra derrota merece registro. Gean Loureiro, prefeito por dois mandatos e reeleito no primeiro turno em 2020, tentou voltar à Assembleia após terminar em quarto na disputa pelo governo em 2022. Fez 37.804 votos e ficou na suplência.
O contraste é indigesto para Gean: seu sucessor e hoje adversário político, Topázio Neto, apoiou Fábio Botelho, eleito deputado estadual com 39.164 votos. Enquanto o ex-prefeito procura um caminho de volta, o grupo do atual prefeito ganha força para discutir a sucessão de 2028.
As urnas não reconhecem direito adquirido ao poder. E saber a hora de sair também faz parte da habilidade política.







