| A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) cobrou a adoção urgente de medidas emergenciais e estruturantes para conter a crise que compromete a viabilidade econômica da produção de cebola no Estado. A entidade solicita o fortalecimento de mecanismos de defesa comercial frente à concorrência com produtos importados, a criação de linhas de crédito específicas, a prorrogação de obrigações financeiras e ações que garantam condições justas de competitividade à produção catarinense. As demandas foram formalizadas ao governador Jorginho Mello por meio de ofício.
Santa Catarina é o maior produtor de cebola do Brasil e manteve a liderança nacional mesmo após eventos climáticos adversos em 2024. Para a safra 2025/2026, a estimativa aponta produção recorde, impulsionada pelo aumento de produtividade, ampliação da área plantada e investimentos em mecanização. No entanto, a combinação entre supersafra e entrada expressiva de produto importado de países vizinhos provocou forte pressão sobre os preços pagos ao produtor. De acordo com a Facisc, há pelo menos dois anos o valor recebido pelo agricultor permanece abaixo do custo de produção, situação que compromete a viabilidade econômica da atividade e levou municípios catarinenses a decretarem situação de emergência. “O produtor não consegue cobrir seus custos e acumula prejuízos sucessivos. É fundamental que o Estado atue com rapidez para garantir condições justas de competitividade e proteger uma cadeia estratégica para Santa Catarina”, afirma o presidente da Facisc, Elson Otto. Embora lidere em volume produzido, Santa Catarina perdeu posição no ranking nacional em valor pago pela produção. O cenário afeta principalmente agricultores familiares, que enfrentam perda de competitividade frente a outros estados e redução no poder de compra. A cadeia produtiva da cebola possui forte relevância econômica e social, com concentração no Alto Vale e na Grande Florianópolis, cada região responsável por mais de 30% da produção estadual, além do Oeste, que responde por mais de 20%. A atividade sustenta empregos, renda e a economia de diversos municípios.
Alto Vale começa a sentir ir efeitos da crise Em Ituporanga e cidades vizinhas, um dos principais polos produtores, os números confirmam a gravidade da situação. Segundo Laudir Schäffer, empresário que atua na cadeia produtiva da cebola, associado da Associação Empresarial de Ituporanga, o custo por hectare na safra 2025/2026 varia entre R$ 45 mil e R$ 53 mil, considerando mão de obra, insumos e investimentos. “A produção média ficou entre 40 e 50 toneladas por hectare. Após a classificação, há perdas de 15% a 25%. O preço médio final recebido gira entre R$ 0,65 e R$ 0,70 por quilo. No fim, a receita não cobre os custos e o prejuízo varia de R$ 10 mil a R$ 15 mil por hectare. Isso virou regra nesta safra”, relata. Laudir explica que a situação já vinha ruim da safra passada. “Muitos produtores, para tentar sair do problema, ampliaram a área plantada e investiram mais. Em sua maioria pequenas propriedades. Houve aumento de produção, excesso de cebola no mercado e a supersafra acabou pressionando ainda mais os preços”. Ele explica que o produtor investiu em mecanização, alojamentos para trabalhadores, sistemas de irrigação, máquinas e depósitos. “Boa parte da mão de obra vem do Nordeste, o que também eleva os custos. O custo por hectare ficou muito alto e, mesmo com produção média elevada, o preço não cobre as despesas”. Segundo Laudir Santa Catarina tem muita cebola, mas pouca rentabilidade. “Isso gera um efeito cascata na economia dos municípios. O produtor não está desmotivado, ele quer continuar, mas sabe que não resolve sozinho. Precisamos de apoio para equilibrar essa conta.” Para a Facisc, a adoção das medidas solicitadas é essencial para preservar a competitividade do agronegócio catarinense, garantir a sustentabilidade econômica dos municípios produtores e proteger milhares de famílias que dependem da cebolicultura no Estado. |
Facisc cobra reação imediata do governo diante da crise da cebola em Santa Catarina





