Proposta prevê atendimento, convivência e moradia protegida para pessoas com autismo quando seus familiares já não puderem oferecer os cuidados
Mais de 100 pessoas participaram, na quinta-feira (17), em Camboriú, de um encontro com a candidata a deputada estadual Marlene Fengler para discutir os desafios enfrentados pelas pessoas com autismo e suas famílias. A reunião contou com mães e pais atípicos, pessoas com autismo e representantes das AMAs de Balneário Camboriú, Camboriú, Luiz Alves, Navegantes, Balneário Piçarras e Penha.
Entre os assuntos abordados, um ganhou destaque pela preocupação que representa para muitas famílias: quem cuidará dos filhos quando os pais não estiverem mais aqui? Foi a partir dessa inquietação que nasceu o projeto Casa Mãe para Pessoas com Autismo, apresentado a Marlene durante o encontro.
A presidente da Federação das AMAs de Santa Catarina (FEAMAS) e gestora da AMA Litoral, Cátia Purnhagen Franzoi, entregou um ofício pedindo apoio para a implantação da Casa Mãe e a viabilização de recursos públicos. Mãe de Lino e há anos envolvida com a causa, Cátia conhece de perto a angústia que motivou o projeto. “Quando a AMA nasceu, eu tive uma preocupação: o que acontece com os nossos filhos quando a gente não estiver mais aqui?”
Ao ouvir os relatos, Marlene lembrou que, quando assumiu seu primeiro mandato como deputada estadual, conhecia pouco sobre autismo e sobre a realidade das famílias atípicas. Foi a convivência com essas famílias, com as AMAs e com profissionais da área que a aproximou da causa e ampliou seu conhecimento sobre o tema. “Eu confesso que, quando fui deputada pela primeira vez, sabia muito pouco sobre o autismo. Essa causa me encontrou e, quanto mais aprendo com vocês, mais percebo o quanto ainda preciso aprender. Hoje, para mim, não é apenas uma causa a defender. É um propósito de vida”, afirmou.
Marlene também destacou uma questão que passou a considerar fundamental nesse aprendizado: o cuidado com as próprias famílias. “Quanto mais conheço essa realidade, mais me faço uma pergunta: quem cuida de quem cuida? Precisamos olhar para as pessoas com autismo, mas também para as mães, os pais e as famílias que dedicam a vida a esse cuidado”, disse.
Ao se comprometer a apoiar o projeto, Marlene defendeu que as políticas públicas sejam construídas a partir das necessidades de quem vive essa realidade. “Quero conhecer os desafios e os projetos que realmente fazem diferença na vida das pessoas. Quando a sociedade e o poder público se juntam, conseguimos construir soluções melhores para problemas reais.”
Mais do que a construção de um espaço físico, a Casa Mãe representa para essas famílias a possibilidade de olhar para o futuro com mais segurança. Um lugar pensado para garantir que seus filhos continuem recebendo cuidado, acolhimento e respeito ao longo da vida, inclusive quando os pais já não puderem estar ao lado deles.


