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Intolerância

Ricardo Winter

A intolerância não significa simplesmente discordar daqueles que pensam ou agem de maneira diferente de nós, o que é perfeitamente aceitável, mas fazê-lo com um espírito de rancor, agressividade e desrespeito pela dignidade humana.

Com frequência a intolerância tem ligação com o poder. O intolerante utiliza alguma situação de força para ferir e esmagar aquele que se encontra em desvantagem ou fragilidade.

Não é preciso ir muito longe para encontrar sinais de profunda intolerância pelo mundo. Comece a observar, por exemplo, na fila preferencial de uma lotérica, aquela destinada a idosos, grávidas e pessoas portadoras de necessidades especiais, o que tem acontecido.

Tenho visto, por mais exótico que possa parecer, verdadeiros combates e discussões porque um está tomando o lugar do outro. Segundo registros, mulheres grávidas e pessoas idosas vêm chegando às vias de fato depois de discussões acaloradas.

Já li também inúmeros casos de mortes por assassinato depois de disputas de vagas em estacionamentos, ou porque um motorista fechou o outro, muitas vezes sem querer. Onde será que o ser humano deseja chegar?

Amigo leitor, não tenha dúvida alguma que a intolerância, seja no trânsito, na escola, no trabalho, na política, na religião, ou onde quer que seja, leva a violência, desemboca no crime e desrespeita a vida humana.

Durante toda a minha vida nunca tinha visto tanta intolerância no Brasil, como agora, por causa de disputas eleitorais, tal a polarização que toma conta do país.

O intolerante é aquele que não admite opiniões divergentes das suas e, por isso, parte para ações extremas a fim de impor a sua visão.

A história está ai para mostrar tristes períodos marcados por intolerâncias. Cito apenas alguns casos como a execução de Galileu Galilei que, ao contrário da crença religiosa da época, defendia que a terra era redonda.

O outro exemplo, o maior deles, o holocausto de seis milhões de judeus, patrocinado pelo governo nazista. Como a intolerância política pode gerar tragédias inomináveis.

Há muitos outros exemplos que poderiam ser citados, mas quero só terminar relembrando, talvez o maior deles da nossa época, o cruel ataque terrorista aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001.

Li na época num jornal uma frase de um jornalista que para mim resume muito bem o 11 de setembro: “o dia que a imbecilidade do fanatismo se encontrou com a arrogância do império”.

É preciso, sim, sermos tolerantes no que diz respeito à abrangência dos direitos políticos e religiosos a todos os cidadãos, ai sim o mundo vai começar a ver o que é a paz.

RICARDO WINTER

ricardof.winter@gmail.com

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