Jorginho Mello chega ao segundo mandato numa situação privilegiadíssima: pode montar o governo sem precisar distribuir secretarias a partidos de fora de sua aliança para assegurar maioria na Assembleia.
É uma diferença monumental. Uma coisa é escolher colaboradores. Outra é entregar espaços para conseguir governar. Jorginho tem condições de fazer a primeira sem se submeter à segunda.
Maioria dentro de casa
O PL elegeu 16 deputados estaduais. Com Republicanos, Novo e Podemos, a aliança chega a 22 dos 40 parlamentares.
Não se trata de uma maioria improvisada depois da eleição, costurada às pressas para evitar dificuldades. São partidos que participaram da campanha e integram o projeto que o reconduziu ao governo.
O governador começa com a sustentação encaminhada. E ainda dispõe de espaço para ampliá-la.
Aliados próximos
Essas legendas têm vínculos estreitos com Jorginho. O Republicanos é comandado em Santa Catarina por Carmen Zanotto, prefeita de Lages e ex-secretária da Saúde de seu governo.
O Novo tem no vice-governador eleito, Adriano Silva, sua principal referência estadual. E o Podemos é liderado por Paulinha, eleita deputada federal e integrante dessa composição.
São relações construídas no exercício do poder e na campanha. O grupo tem direção política.
Convite, não imposição
Isso significa que MDB, PP e outras siglas ficarão necessariamente fora do governo? Não.
Jorginho poderá aproveitar nomes desses partidos, especialmente os que romperam com suas direções para apoiar sua reeleição. Mas existe uma diferença fundamental: poderá convidar porque considera conveniente, sem estar obrigado a ceder para sobreviver.
O comando da negociação mudou de mãos. Quem procura espaço terá de compreender o tamanho dessa mudança.
O contraste com Moisés
Carlos Moisés chegou ao governo na onda Bolsonaro, sem trajetória partidária nem uma estrutura política consistente. Recorreu a muitos militares e teve dificuldades para construir sustentação.
Jorginho percorreu outro caminho. Tem experiência parlamentar, preside o PL e transformou o mandato numa plataforma de expansão de seu grupo.
Moisés não conseguiu chegar ao segundo turno quando tentou a reeleição. Jorginho resolveu a disputa já no primeiro. A diferença dispensa malabarismo.
Musculatura construída
Quando assumiu, em 2023, o grupo próprio de Jorginho era bem mais estreito. Quatro anos depois, o quadro é outro.
O avanço municipal de 2024, a ampliação da presença do PL e a vitória estadual deram ao governador uma musculatura que seus adversários não conseguiram acompanhar.
Ele não apenas conservou aliados. Atraiu lideranças e abriu dissidências em partidos que estavam no palanque adversário.
O alvo das prefeituras
O próximo objetivo é 2028. A pretensão é aproximar seu campo político de 150 prefeituras, considerando o PL e os aliados.
É um projeto ambicioso. Significa disputar o comando municipal que durante décadas sustentou a influência de outras legendas.
Prefeito organiza base, forma lideranças e mobiliza o eleitorado. Jorginho conhece essa engrenagem e quer colocá-la para trabalhar em favor da continuidade de seu projeto.
Portas abertas
MDB, PP e União Brasil terão de administrar a cobiça do grupo governista sobre seus quadros.
Quem encontrar dificuldades na própria legenda poderá buscar abrigo no PL, no Republicanos, no Novo ou no Podemos. O governador dispõe de mais de uma porta de entrada.
Essa estrutura permite ampliar a base sem concentrar todas as ambições debaixo da mesma sigla. É articulação política com método.
2030 no horizonte
Jorginho não pretende pendurar as chuteiras. Quer eleger o sucessor e retornar ao Senado em 2030.
A montagem do governo também passa por esse horizonte: aproveitar nomes com potencial para 2028 e, mais adiante, incorporar prefeitos que encerrem seus mandatos com pretensões à disputa proporcional.
O secretariado será uma equipe de administração, mas também terá peso na construção das próximas eleições.
A caneta e o comando
Com a sucessão da Assembleia encaminhada, o foco se concentra no novo governo e nas municipais.
A situação é absolutamente confortável. Justamente por isso, a responsabilidade aumenta: com liberdade para escolher, o governador será cobrado pela qualidade da equipe e pelas entregas.
Jorginho tem a caneta, a maioria e o comando do grupo. Os adversários terão de encontrar uma maneira de enfrentar esse conjunto.


