A três meses da eleição da nova Mesa Diretora, Camilo Martins já reuniu apoio para suceder Júlio Garcia. Uma articulação precoce e bem-sucedida, que tira da frente de Jorginho Mello uma negociação importante.
Com o comando da Assembleia encaminhado, o governador pode concentrar esforços em dois desafios: montar o segundo governo e preparar o terreno para as eleições municipais.
A nova equipe
Quem fica, quem troca de cadeira e quem sai? Essa é a próxima equação.
É provável que Jorginho convoque pelo menos um deputado federal e um estadual para o secretariado, abrindo espaço para Ismael dos Santos em Brasília e Jair Miotto na Assembleia, primeiros suplentes do PL.
Uma movimentação que acomoda aliados e reforça a engrenagem governista.
As peças estratégicas
Cleverson Siewert desponta para permanecer na Fazenda. Na Infraestrutura, Ricardo Grando tem boas possibilidades de continuar conduzindo a pasta, como titular ou adjunto, conforme as necessidades da composição.
Casan, Celesc e os demais espaços também entrarão nessa conta. Jorginho dispõe de uma vantagem invejável: pode escolher com a tranquilidade de quem saiu das urnas fortalecido.
Maioria com folga
O PL elegeu 16 estaduais. Somados os aliados do Republicanos, Novo e Podemos, o governador já dispõe de maioria na Assembleia.
E há os parlamentares que apoiaram Jorginho mesmo quando seus partidos estavam em outro palanque: Pepê Collaço, do PP, Jerry Comper e Fernando Krelling, do MDB, entre outros.
Esse conjunto permite trabalhar com uma sustentação de 25 ou 26 deputados. É musculatura política de sobra.
O grupo pode crescer
A expansão não terminou na eleição. Esses deputados poderão ser convidados a ingressar no PL ou em alguma das legendas aliadas, respeitadas as condições legais para a mudança.
Jorginho não está apenas acomodando o presente. Está preparando a própria candidatura ao Senado e a eleição de seu sucessor em 2030.
Quem imagina que o governador vai administrar passivamente a vitória está redondamente enganado.
Brasília na conta
Na Câmara, os sete federais do PL se somam a outros parlamentares próximos ao governador. Um campo de influência que pode alcançar 11 das 16 cadeiras catarinenses.
No Senado, a partir de fevereiro, os três representantes do estado serão liberais.
Governo, maioria estadual e representação expressiva em Brasília. Jorginho reuniu instrumentos para comandar um projeto que ultrapassa os limites do segundo mandato.
O próximo alvo
A segunda grande tarefa tem endereço: as prefeituras em 2028.
É no município que se organiza a base, se formam lideranças e se constrói presença eleitoral permanente. O governador quer ampliar essa estrutura para chegar ainda mais forte a 2030.
O MDB conhece bem essa receita. Durante décadas, fez da força municipal o alicerce de seu poder. Agora, vê Jorginho avançando sobre esse território.
Sintonia à direita
PL, Novo, Republicanos e Podemos compõem o campo que sustenta Jorginho e se posiciona na oposição ao governo Lula.
Essa convergência favorece um discurso coerente entre os planos estadual e federal. Tarcísio de Freitas, do Republicanos, surge como nome natural dos conservadores para 2030.
Jorginho tem governo, estrutura e um rumo político definido. Seus adversários terão de explicar o próprio caminho.
João na encruzilhada
Quem vai ter de rebolar é João Rodrigues.
O PSD de Gilberto Kassab sinaliza entendimento com Lula e disposição para permanecer no governo. MDB, PP e União Brasil também mantêm pontes com o poder federal.
Como sustentar uma identidade conservadora em Santa Catarina enquanto as direções nacionais procuram acomodação no Planalto? Essa contradição não desaparece com discurso de palanque.
O terreno de 2028
Gelson Merísio já ocupa o espaço da esquerda. Jorginho comanda o principal agrupamento conservador. João precisa encontrar identidade, discurso e direção.
Se os partidos que o acompanharam gravitarem em torno de Lula, entregarão ao governador uma arma eleitoral poderosa.
Jorginho monta o governo, amplia a base e prepara as municipais. Os adversários ainda tentam descobrir onde vão ficar. Na política, essa diferença custa caro.


