Jorginho Mello chega ao segundo mandato empoderado, com uma estrutura política que seus adversários estão longe de acompanhar. O PL elegeu 16 estaduais, sete federais e os dois senadores, que se juntarão a Jorge Seif.
Mas olhar apenas para a força do governador não basta. É preciso perguntar: qual é a consistência da oposição em Santa Catarina?
O retrato é de uma oposição raquítica, esquelética e sem musculatura para enfrentar o grupo governista.
Dez entre 59
A esquerda terá três deputados federais e sete estaduais: cinco do PT, Marquito, do PSOL, e Rodrigo Minotto, do PDT.
São dez parlamentares num universo de 59 mandatos: 40 na Assembleia, 16 na Câmara Federal e três no Senado.
É uma representação pequena diante da dimensão do campo conservador. E nem mesmo esses dez formam necessariamente um bloco fechado em todas as disputas.
Nem tudo é confronto
Rodrigo Minotto, por exemplo, apoia Camilo Martins para a presidência da Assembleia.
Uma composição para a Mesa não transforma automaticamente um parlamentar em governista. Mas demonstra que a oposição também negocia espaços e participa dos entendimentos conduzidos pelo grupo majoritário.
Jorginho encontra interlocutores até entre aqueles que estão do outro lado. Seus adversários não conseguiram construir a mesma capacidade de aglutinação.
O PP dividido
O PP reelegeu dois estaduais. Pepê Collaço já estava com Jorginho. Altair Silva acompanhou João Rodrigues.
E agora? Qual será o projeto de oposição? Em torno de quem? Com qual perspectiva?
João saiu derrotado e perdeu protagonismo. Ter dividido o palanque com ele não obriga ninguém a passar quatro anos enfrentando o governador. A eleição terminou, e os interesses políticos começam a falar mais alto.
O MDB acomodado
Dos quatro estaduais do MDB, Jerry Comper e Fernando Krelling já trabalharam pela reeleição de Jorginho.
Mauro de Nadal e Tiago Zilli estiveram com João Rodrigues. Isso, porém, está longe de assegurar uma bancada empenhada em fazer oposição sistemática.
O MDB encolheu e terá de administrar suas próprias dificuldades. Comprar uma guerra com um governador fortalecido não parece ser a prioridade de quem também precisa preservar espaço e influência.
Palanque desmontado
Essa é a fragilidade central dos partidos que acompanharam João: a coligação eleitoral não se converteu numa frente consistente de oposição.
Encerrada a campanha, cada liderança procura seu rumo. E Jorginho dispõe de governo, maioria e capacidade de atração.
A oposição de esquerda permanece identificável. A dos demais partidos é dispersa, circunstancial e atravessada por interesses que frequentemente os aproximam do Executivo.
Sete prefeituras
No mapa municipal, a dificuldade da esquerda é ainda mais evidente. O PT elegeu sete prefeitos em 2024, num estado com 295 municípios.
Uma estrutura estreita, concentrada principalmente em cidades pequenas, insuficiente para oferecer presença territorial comparável à dos adversários.
Enquanto Jorginho trabalha para ampliar seu campo municipal, a esquerda precisa encontrar uma maneira de sair desse confinamento eleitoral.
A caneta federal
O governo Lula oferece cargos, interlocução e instrumentos políticos. Mas não resolve sozinho a falta de base.
Em 2024, Lula já estava no Planalto. Ainda assim, o PT terminou a eleição catarinense com sete prefeituras.
O eventual retorno de Décio Lima ao Sebrae Nacional poderá preservar sua influência, mas não substitui liderança municipal nem organização partidária. Cargo em Brasília não fabrica voto automaticamente em Santa Catarina.
Rua não é estrutura
A esquerda consegue mobilizar militantes e ocupar as ruas. Isso tem valor político, mas não significa que tenha construído uma alternativa estadual competitiva.
Manifestação acaba. A disputa por espaço continua no município, na Câmara de Vereadores, nos partidos e na formação de candidaturas.
É justamente nessa presença permanente que o campo governista leva uma vantagem brutal.
O teste de 2028
Jorginho está numa situação extremamente cômoda. Tem força própria, aliados e adversários dispersos.
A oposição carece de consistência, liderança e musculatura. Seu próximo teste será a eleição municipal de 2028.
Até lá, terá de fazer muito mais do que atacar o governador. Precisará construir um projeto capaz de enfrentá-lo. Hoje, esse projeto simplesmente não aparece.






