A história do Brasil e de Santa Catarina é marcada por mulheres que abriram caminhos quando quase não haviam portas. Entre elas, destaca-se Antonieta de Barros, professora e jornalista que, em 1934, tornou-se a primeira mulher negra a ocupar um mandato parlamentar no país. Em um tempo em que a política era quase exclusivamente masculina, Antonieta não apenas conquistou um espaço: transformou a educação e o debate público em instrumentos de mudança social.
Décadas depois, a presença feminina nos espaços de liderança segue crescendo, ainda que lentamente. Em Santa Catarina e no Brasil, cada vez mais mulheres assumem posições estratégicas na gestão pública, na educação, no empreendedorismo e na sociedade civil. Essa presença não representa apenas diversidade, mas uma ampliação de perspectivas na formulação de políticas públicas e nas decisões que impactam a vida coletiva.
O futuro, no entanto, ainda exige mais espaço para as mulheres nas mesas de decisão. Hoje, apenas cerca de 17% do parlamento brasileiro é composto por mulheres, um dado que revela que quem decide os rumos do país ainda não representa plenamente a diversidade da sociedade. Ampliar essa presença não é apenas uma questão de equidade, mas de qualidade democrática.
Nesse contexto, a gestão do governador Jorginho Mello tem se destacado por ampliar a presença feminina em cargos de liderança e decisão, com mulheres à frente de secretarias, autarquias e funções estratégicas da administração pública. Mais do que ocupar posições, essas lideranças têm contribuído para fortalecer políticas públicas que dialogam diretamente com os desafios enfrentados pelas mulheres catarinenses.
Entre essas iniciativas está o programa Catarinas por Elas, que reúne uma série de ações voltadas à proteção, valorização e autonomia feminina. A mobilização também ganha força com campanhas de conscientização, como “Seja Homem, Denuncie”, que convoca toda a sociedade, especialmente os homens, a assumir responsabilidade no combate à violência contra a mulher e no enfrentamento ao feminicídio.
Nesse processo, o acesso à educação tem papel decisivo. A ampliação das oportunidades no ensino superior tem sido um dos caminhos mais importantes para fortalecer a autonomia feminina e preparar novas lideranças. Quando mais mulheres chegam à universidade, ampliam-se também as possibilidades de participação qualificada nos espaços de poder, de inovação e de transformação social.
Mais do que celebrar datas simbólicas, o desafio contemporâneo é construir estruturas que garantam participação real. O protagonismo feminino não é tendência passageira, é uma condição necessária para que o desenvolvimento seja, de fato, coletivo e representativo. Porque quando mulheres ocupam seu lugar na liderança, não avançam sozinhas: avançam junto com toda a sociedade.
Luciane Bisognin Ceretta – Secretaria de Estado da Educação e reitora licenciada da Unesc






