Lula veio pedir votos em Santa Catarina, mas entregou arrogância. Em Florianópolis, disse que, pelo apoio financeiro de seu governo, o agro deveria “se ajoelhar” diante dele. E sugeriu que a rejeição teria relação com sua origem nordestina, uma “questão de pele” ou por ser “pobre”.
Dinheiro público não é patrimônio de Lula. Crédito rural não compra obediência. E produtor não deve reverência a presidente.
A esquerda precisa aceitar: discordar do PT não é preconceito. É liberdade política. Quem escolhe a direita não tem obrigação de pedir desculpas por suas convicções.
Também soa conveniente posar de pobre tendo declarado R$ 4,8 milhões em patrimônio à Justiça Eleitoral. Origem humilde merece respeito; usá-la como escudo contra críticas merece contestação.
O encontro teve boa mobilização e pode fortalecer Merísio entre os eleitores da esquerda. Mas Lula, ao afrontar quem produz, dá mais um tiro no pé na tentativa de conquistar quem está fora da própria bolha.
O presidente deve servir ao país. Não esperar que o país se ajoelhe diante dele.

