O enfraquecimento dos Calheiros em Alagoas e dos Barbalho no Pará abre uma oportunidade para o MDB se desvencilhar da tutela de famílias que confundem o interesse do partido com a conservação do próprio poder. Para o MDB catarinense, é uma boa notícia.
O primeiro efeito aparece nesta terça-feira (13), em São Paulo, quando está previsto o anúncio de apoio de 16 diretórios emedebistas a Flávio Bolsonaro. São 15 estados e o Distrito Federal. Uma maioria que decidiu seguir seu caminho, mesmo com a resistência dos grupos agarrados ao governo Lula.
Ministérios e sobrenomes
Na formação do terceiro governo Lula, o MDB ganhou três ministérios: Renan Filho nos Transportes, Jader Filho nas Cidades e Simone Tebet no Planejamento. Dois sobrenomes conhecidos e uma ex-candidata à Presidência.
Tebet trocou o MDB pelo PSB, mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo e acabou derrotada na disputa ao Senado. Os Calheiros e os Barbalho, por sua vez, descobriram que proximidade com o Planalto e presença na Esplanada não garantem a obediência das urnas.
O golpe no Pará
Helder Barbalho conseguiu chegar ao Senado, sucedendo o pai, Jader. Mas a família perdeu o governo estadual: Hana Ghassan, sua candidata, foi derrotada por Dr. Daniel já no primeiro turno. Preservaram a cadeira no Senado, mas perderam o comando do Executivo. Uma derrota de peso para quem pretendia manter o controle do Estado. E a oposição também elegeu um senador abrigado no União Brasil.
Alagoas foi mais longe
Para os Calheiros, o resultado foi ainda mais duro. Renan tentou conquistar o quinto mandato no Senado e terminou em terceiro. As vagas ficaram com Arthur Lira, seu adversário histórico, e Marina JHC, mulher do governador eleito João Henrique Caldas. Renan Filho também perdeu: foi derrotado por JHC na disputa pelo governo. Pai e filho abatidos na mesma eleição.
Renan pretendia alcançar os cinco mandatos de José Sarney. Parou antes. Em 2022, Álvaro Dias também tentou o quinto mandato pelo Paraná e igualmente terminou em terceiro. A longevidade no poder pode alimentar a sensação de permanência. O eleitor, de tempos em tempos, desfaz a ilusão.
A maioria se movimenta
É nesse cenário que ganha força o movimento conduzido por Baleia Rossi, Ricardo Nunes e Michel Temer. O apoio a Flávio reúne todos os diretórios do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e cinco dos sete estados do Norte. A ala lulista poderá manter sua posição, mas já não consegue impor ao conjunto do partido a conveniência de seus acordos com Brasília.
A previsão é que Santa Catarina esteja representada no encontro pelo presidente estadual Carlos Chiodini e pelo deputado reeleito Mauro de Nadal. A presença deve servir para afirmar uma posição política e dar consequência ao reposicionamento nacional.
A oportunidade catarinense
O MDB de Santa Catarina precisa aproveitar essa mudança para recuperar autonomia e identidade. Não faz sentido carregar o desgaste de alianças nacionais moldadas para preservar espaços de famílias de outros estados.
Os Calheiros e os Barbalho continuam na política e conservam influência. Mas saíram menores das urnas. Isso reduz sua capacidade de tratar o MDB como extensão dos próprios interesses.
Para os catarinenses, a oportunidade está posta: reconstruir o partido olhando para o eleitor de Santa Catarina.
O MDB de SC tem muito a ganhar quando deixa de pagar a conta dos coronéis de fora.


