O MDB de Santa Catarina começa, enfim, a sair da posição de espectador e ensaia movimentos mais claros de reposicionamento no tabuleiro eleitoral. Assim como ocorre no plano nacional, o partido percebe que 2026 já entrou definitivamente na pauta e que permanecer em compasso de espera pode significar perda adicional de protagonismo.
Duas hipóteses ganham corpo no debate interno e ajudam a medir o grau de tensão e, ao mesmo tempo, de expectativa que ronda a sigla.
O primeiro movimento possível passa pelo deputado estadual Antídio Lunelli. Lideranças regionais, prefeitos, ex-prefeitos e parlamentares têm intensificado os apelos para que ele aceite disputar o governo do Estado.
Frustração
A pressão não é gratuita. Antídio carrega o recall de quem venceu a prévia interna em 2022 e acabou preterido na convenção que levou o MDB a compor com Carlos Moisés. Desde então, ficou a sensação, dentro de parcelas do partido, de que aquela fatura política nunca foi devidamente quitada.
Escanteio
Paradoxalmente, o que hoje impulsiona seu nome é justamente o esvaziamento do MDB na aliança governista. A entrada formal da sigla no governo Jorginho Mello ocorreu sob a promessa de participação na chapa majoritária. O convite ao prefeito de Joinville, Adriano Silva, para a vice alterou completamente esse cenário e deixou o MDB fora do núcleo central do projeto de reeleição.
Avaliando
Antídio deve se manifestar após o Carnaval. A tendência predominante é de que permaneça no MDB e concorra à reeleição para a Assembleia Legislativa, resistindo ao convite feito por aliados do governador para que migrasse ao PL. Ainda assim, seu nome continua sendo o símbolo de uma ala que defende candidatura própria ao governo, mesmo sabendo das dificuldades práticas de viabilização.
A alternativa Chiodini
O segundo eixo de discussão envolve o deputado federal Carlos Chiodini, presidente estadual do MDB. Aqui, o debate é mais objetivo: uma candidatura ao Senado.
Esse projeto admite dois desenhos. Um, mais amplo, incluiria uma dobradinha com candidatura própria ao governo — cenário hoje visto como remoto. O outro, considerado mais plausível, é o de uma candidatura “solteira” ao Senado, sem cabeça de chapa estadual.
Espaço
Há um componente pragmático importante nessa equação. Chiodini organizou o partido com foco na composição com Jorginho Mello e abriu espaços para novas candidaturas à Câmara Federal, como a de Rodrigo Coelho. Com o rearranjo da chapa governista, seu caminho para a reeleição em Brasília ficou mais estreito, o que torna o Senado uma alternativa politicamente defensável.
Um Senado congestionado
Se essa hipótese se confirmar, o quadro para o Senado em Santa Catarina tende a se tornar um dos mais fragmentados do país no campo conservador.
Hoje já se trabalha com a possibilidade de nomes ligados ao bolsonarismo e ao liberalismo na chapa de Jorginho Mello (Carlos Bolsonaro e Carol De Toni), além de uma candidatura vinculada ao grupo de João Rodrigues (caso Esperidião Amin, via União Progressista, acerte os ponteiros com o chapecoense).
Com a eventual entrada de Chiodini, o eleitorado de centro-direita e direita poderá se dividir entre quatro candidaturas competitivas.
Unidade
Do outro lado do espectro ideológico, a esquerda trabalha para unificar forças em torno de um único nome, Décio Lima, o que, em tese, lhe daria uma base mais coesa de votos.
Em um cenário de pulverização acentuada no campo conservador, não é impossível que um candidato competitivo da esquerda dispute a segunda vaga com chances reais, mesmo em um Estado de perfil majoritariamente à direita.
Prazos e realidade
Apesar das especulações, o calendário ainda impõe freios. A janela partidária e o prazo de desincompatibilização, no início de abril, devem provocar os primeiros movimentos formais. Já as convenções de agosto é que darão contorno definitivo ao desenho das chapas.
Dilema
Até lá, o MDB segue tentando reencontrar seu eixo: dividido entre o pragmatismo de quem não quer romper pontes e a pressão interna de quem defende recuperar identidade e protagonismo.
O desfecho dessa equação dirá se o partido será coadjuvante de luxo ou voltará a brigar por espaço real na majoritária catarinense.







