André Mendonça não se acovardou. Não recuou diante das pressões de Alexandre de Moraes, do governo Lula nem da cúpula da Polícia Federal. Ao contrário: reagiu e determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
A decisão foi tomada após Mendonça afirmar que ele próprio, servidores de seu gabinete e integrantes da Advocacia-Geral da União foram submetidos a um monitoramento ilegal por mais de um mês.
É gravíssimo.
A Polícia Federal existe para investigar crimes, proteger o Estado e servir à sociedade. Não pode ser transformada em instrumento de vigilância contra ministros, adversários políticos ou qualquer pessoa que contrarie os interesses do Palácio do Planalto.
Relatório sem valor probatório
O episódio se torna ainda mais escandaloso porque um dos relatórios produzidos pela PF, classificado por Mendonça como ilícito e sem valor probatório, foi justamente o material utilizado por Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra o colega no inquérito das fake news.
A manobra, porém, não funcionou como o esperado. Fachin retirou o caso do alcance de Moraes e o levou para a Presidência do Supremo. Agora, o próprio comando da Polícia Federal passa a ser investigado por suspeitas de instrumentalização da instituição.
Mendonça não está sozinho
A decisão recebeu os votos de Luiz Fux e Nunes Marques, formando maioria na Segunda Turma do STF. Gilmar Mendes pediu vista e interrompeu a conclusão do julgamento, mas o resultado parcial revela que Mendonça não está isolado.
O ministro também recebeu apoio nas manifestações de 7 de Setembro e encontra respaldo em juristas, parlamentares e numa parcela crescente da sociedade que exige transparência nas investigações sobre o Banco Master e a fraude do INSS.
Gaspar parte para o ataque
Quem reagiu duramente foi o deputado federal Alfredo Gaspar, do PL de Alagoas. Ex-promotor de Justiça, relator da CPMI do INSS e atual candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, Gaspar foi escalado para enfrentar justamente as ofensivas do governo e da esquerda contra as investigações.
Em vídeo, classificou o episódio como uma vergonha e advertiu:
“A Polícia Federal não pode ser instrumento de perseguição nem escudo de proteção. Chega de blindagem!”
Gaspar conhece o terreno. Como relator da CPMI do INSS, acompanhou de perto as suspeitas envolvendo o esquema que atingiu aposentados e pensionistas e os personagens próximos ao governo Lula que surgiram durante as apurações.
Lula sangra à luz do dia
O governo Lula tenta se afastar da crise, mas já não consegue esconder suas consequências. O diretor-geral afastado foi escolhido pelo próprio presidente. A fraude do INSS alcançou pessoas próximas ao petista. Lulinha aparece no radar das investigações. Alexandre de Moraes, durante anos tratado pela esquerda como guardião da democracia, enfrenta agora a maior crise de sua trajetória.
Tudo acontece a menos de um mês da eleição.
Mendonça mostrou que não pretende se intimidar. Alfredo Gaspar mostrou que a campanha de Flávio Bolsonaro transformará cada tentativa de blindagem em munição eleitoral.
Enquanto novos fatos aparecem e antigos aliados começam a se afastar, Lula sangra à luz do dia.
E essa sangria está apenas começando.


