Candidato ao Governo de Santa Catarina acredita que uma eventual vitória do presidente pode alterar o cenário político estadual e abrir espaço para a oposição ao PL
O candidato ao Governo de Santa Catarina Gelson Merisio (PSB) aposta na eleição presidencial para tentar modificar o equilíbrio de forças políticas no Estado. Durante agenda em Criciúma, neste sábado (29), o candidato afirmou acreditar que uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda no primeiro turno poderia enfraquecer a influência do bolsonarismo entre os catarinenses.
A declaração ocorreu durante o lançamento da candidatura de Giovana Mondardo (PCdoB) à Câmara dos Deputados. Merisio foi questionado sobre a força que o bolsonarismo mantém em Santa Catarina desde 2018 e argumentou que já percebe sinais de redução da influência política da família Bolsonaro em outras regiões do país.
Na avaliação do candidato, esse movimento também poderá chegar a Santa Catarina, tradicionalmente identificado como um dos principais redutos eleitorais da direita no país.
Merisio lembrou ainda que Santa Catarina já registrou momentos de forte votação para Lula. Em 2002, o então candidato do PT teve no Estado um dos melhores desempenhos proporcionais de sua trajetória eleitoral.
Estratégia é aproximar Merisio de Lula
A aposta de Merisio passa diretamente pela associação de sua candidatura à imagem de Lula. O candidato representa o campo político apoiado pelo presidente em Santa Catarina e tem buscado transformar essa ligação em um dos principais elementos de sua campanha.
A estratégia ganhou ainda mais visibilidade com o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A campanha de Merisio precisa ampliar sua presença entre os eleitores e, ao mesmo tempo, consolidar a percepção de que ele é o principal representante do grupo político de Lula no Estado.
A aliança reúne partidos de esquerda e centro-esquerda e tem como objetivo romper a predominância da direita na política catarinense. O grupo também aposta em repetir, em alguma medida, o desempenho obtido por Décio Lima (PT) em 2022, quando o petista chegou ao segundo turno na disputa pelo Governo do Estado.
Críticas ao governo Jorginho Mello
Durante o evento em Criciúma, Merisio também voltou a atacar a administração do governador Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição.
O pessebista afirmou que pretende utilizar o espaço da propaganda eleitoral para apresentar dados sobre a situação de Santa Catarina e questionar as prioridades da atual gestão.
Segundo Merisio, o Estado possui uma arrecadação elevada, mas as entregas do governo não seriam proporcionais aos recursos disponíveis. O candidato também criticou o que considera excesso de investimentos em publicidade enquanto problemas enfrentados pela população continuariam sem respostas adequadas.
A estratégia coloca Merisio em confronto direto com o governador, que continua sendo apontado como um dos principais nomes da disputa e conta com uma estrutura partidária robusta em torno do PL e de seus aliados.
Violência contra a mulher entra na campanha
A candidata a vice-governadora na chapa de Merisio, Angela Albino (PDT), também participou da agenda e direcionou as críticas para a política estadual de enfrentamento à violência contra as mulheres.
Angela destacou os índices de violência registrados em Santa Catarina e questionou a capacidade do Estado de oferecer proteção às vítimas.
O assunto já havia sido levado para o primeiro programa eleitoral da coligação Coragem para Mudar, exibido na televisão na sexta-feira (28). A campanha utilizou como argumento o aumento de 33% nos casos de feminicídio registrados no primeiro semestre deste ano.
Eleição estadual cada vez mais nacionalizada
A estratégia de Merisio revela uma das principais apostas do campo apoiado por Lula: nacionalizar a disputa pelo Governo de Santa Catarina.
A ideia é transformar a eleição estadual em uma espécie de extensão do confronto entre lulismo e bolsonarismo. Para Merisio, uma vitória expressiva de Lula em Santa Catarina poderia criar condições para ampliar sua própria votação e diminuir a vantagem dos candidatos identificados com a direita.
A movimentação ocorre em um cenário no qual Jorginho Mello tenta consolidar sua posição como principal representante do bolsonarismo no Estado, enquanto João Rodrigues (PSD) busca se apresentar como uma alternativa ao atual governador.
Com a campanha oficialmente nas ruas e o rádio e a televisão incorporados à disputa, a tendência é que a ligação entre a eleição presidencial e a estadual fique ainda mais evidente nas próximas semanas.
Para Merisio, a equação é direta: quanto maior for a votação de Lula em Santa Catarina, maior será sua possibilidade de transformar o apoio presidencial em votos para o Governo do Estado.
A questão é saber se essa estratégia será suficiente para alterar uma correlação de forças que, nos últimos anos, tem sido amplamente favorável à direita no eleitorado catarinense.


