Coluna do dia

Momento perigoso

A semana se iniciou com uma ressaca moral e ética sem precedentes na história do Brasil. Pelo menos se usarmos como parâmetro a ditadura militar instaurada em 1964. Em 2021, estamos em plena ditadura do Judiciário. Ou mais especificamente, do Supremo Tribunal Federal. A Câmara dos Deputados, num placar inexplicável, resolveu cacifar a prisão contra um de seus pares, decretada pelo ex-advogado do PCC, Alexandre de Moraes.

Não resta a menor dúvida de que o deputado fluminense Daniel Silveira (PSL) é um destrambelhado. Um cidadão sem a menor condição do exercício parlamentar. Não tem estofo, não tem pedigree. Avançou o sinal ao incitar a população contra o Supremo. Não dá pra concordar com este tipo de abordagem. Por pior que seja o STF. A Câmara, contudo, jamais poderia ter referendado a ordem de prisão pela opinião manifestada por um parlamentar.

O regime militar cassava deputados, perseguia, instaurou o AI-5, veio a censura e tudo mais.

Quem manda

O STF, está claro, quer trilhar o mesmo caminho. A corda está esticando. Estão radicalizando. Fica o alerta. O brasileiro é muito pacato, cordato e sem iniciativa no geral. Mas em 2013 perdeu a paciência e foi às ruas. As supremas togas da vez que se cuidem. Ninguém quer sangue nas ruas, ninguém quer o fechamento do Supremo.

Deboche

Aliás, o notório Zé Dirceu também já defendeu o fim da corte máxima do país. Foi duas vezes condenado por corrupção grossa, graúda, nunca antes vista, e está solto! Cumpre prisão domiciliar. Já o tal deputado falou algo na mesma linha e segue atrás das grades.

Covardes

O pior de tudo, no entanto, é a Câmara se prestar a um papelão desses. Foram 364 votos pela manutenção da prisão, uma maioria parlamentar de joelhos ante a ditadura suprema.

A relatora do processo no Legislativo responde a 50 processos nas mais variadas instâncias judiciais. Não tem moral alguma. Está comprometida até o gogó com o Judiciário.

Inaceitável

Enquanto isso, o STF faz tudo. Investiga, denuncia e julga. Avança sem qualquer pudor sobre atribuições de outros poderes e instituições. Neste caso do deputado Silveira, o Supremo é vítima. E a vítima vai julgar seu suposto algoz.  É o fim da picada.

Sul dá exemplo

Uma olhadela mais atenta aos números da votação entre as bancadas estaduais escancara aquilo que já está consolidado. Rio Grande do Sul e Santa Catarina são os dois estados mais politizados do país. Dos 31 deputados gaúchos, 17 votaram pela soltura de Daniel Silveira. Mais da metade. Em Santa Catarina, foram nove votos contra o arbítrio do STF entre os 16 representantes. Maioria também.

Paraná desequilibra

Dos três estados do Sul, só o Paraná votou majoritariamente pela prisão do deputado fluminense. Dos 30, apenas 10 tiveram a coragem de enfrentar o Supremo.

No balanço geral, contudo, foram 36 votos bem posicionados nos três estados sulistas. Praticamente 20% da votação recebida por Daniel Silveira. Que pode ser o Márcio Moreira Alves do Século 21. Muito embora Alves fosse um sujeito honrado e preparado, coisa que Silveira não é, mesmo assim, pode-se fazer o cotejamento da história!

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