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O cansaço da polarização política e a necessidade de novos caminhos

Empresário, minha atividade profissional

Léo Mauro Xavier Filho

Que cansaço essa polarização política que existe atualmente no Brasil. Tornou-se um fardo diário, um ruído que invade conversas, contamina relações e aprisiona o país em uma disputa interminável entre dois polos. Liga-se a TV, lê-se um jornal, uma rede social e só se fala sobre isso, até parece que o Brasil não tem outros problemas além dessa chatice política, com “p minúsculo”, como se a política brasileira tivesse sido reduzida a uma eterna revanche, onde o quemais importa é derrotar, aniquilar e menosprezar o adversário, do queefetivamente discutir e construir soluções reais para os problemas da nação.

Os dois líderes políticos mais influentes da atualidade, aliado aos poderes legislativo e judiciário, que em muitas vezes atuam também como fomentadores e protagonistasdessa escalada, inflamando o ativismo,carregam parte importante dessa responsabilidade. Ambos os líderes, cada qual com suas perspectivas de mundo, têmtrajetórias importantes, e que marcaram a história recente de nosso país, mas também são os símbolos mais evidentes de uma divisão que já não acrescenta, mas apenas desgasta e o povo já está ficando cansado desse embate estéril. O Brasil parece refém desse duelo, como se o futuro estivesse condenado a repetir o passado, sem espaço para novos nomes, ideias e perspectivas.

Se eles tivessem a grandeza de renunciar auma possível candidatura à presidência, fariam um bem imenso ao país. Seria um gesto não de fraqueza, mas de maturidade política, de compromisso com algo maior do que o próprio ego, e sim com o país. Esse ato permitiria que novas lideranças surgissem, que o debate se oxigenasse e que a sociedade respirasse aliviada, libertando-se da sensação de que só existem duas opções possíveis.

A democracia precisa de alternância, mas também de serenidade. Aliás, líderespolíticos e homens públicos com serenidade, nas diversas esferas de poder, parecem ter desaparecido do cenário político-institucional de nosso país.  O país real, o que enfrenta filas em hospitais, falta de segurança, transporte coletivo precário, desigualdade gritante e futuro incerto, não pode continuar sendo refém de disputas personalistas e de grupos políticos que desejam se perpetuarno poder. O Brasil precisa de propostas, não de brigas intermináveis!

A sociedade brasileira certamente agradeceria um gesto de renúncia em favor do futuro. Talvez pareça utopia esperar por tamanha atitude de grandeza, vindo de homens tão vaidosos, mas a utopia, como alguém disse um dia, tem o poder de apontar caminhos, pois ela serve para nos fazer seguir, com esperança e coragem. Talvez esteja na hora do Brasil, da sua gente e de seus homens públicos, começarem a dar passos em direção a uma política menos polarizada, mais plural e verdadeiramente comprometida com o bem comum da nação.