A manifestação de 13 ministros aposentados do Supremo — todos eles ex-presidentes da Corte — é um movimento de enorme peso e que não pode passar despercebido.
Nomes como Francisco Rezek, Carlos Velloso e Cezar Peluso classificam o momento como a “mais aguda crise” da história do STF e cobram de Edson Fachin uma sessão pública para determinar a imediata e rigorosa apuração dos fatos.
A declaração de confiança na “seriedade, discernimento e firmeza” de Fachin parece um elogio, mas funciona como uma cobrança direta. Ao manifestarem publicamente essa confiança, os ex-ministros colocam sobre o presidente do Supremo a responsabilidade de agir.
Fachin ficou encurralado.
A exigência de uma sessão pública também é determinante. Não basta uma nota burocrática, uma reunião reservada ou uma decisão construída silenciosamente nos gabinetes. Os antigos integrantes da Corte querem transparência e um posicionamento do plenário, diferentemente da sessão secreta que não resultou em nenhuma investigação sobre Dias Toffoli no caso Banco Master.
Embora a carta não cite Alexandre de Moraes, o endereço político do recado é evidente. O documento foi divulgado em meio à crise provocada pelas revelações envolvendo Moraes, Daniel Vorcaro e a reação contra André Mendonça.
A pressão sobre Moraes deixou de partir apenas da direita, das ruas e do Congresso. Agora vem de 13 pessoas que conhecem profundamente o funcionamento e os bastidores do Supremo.
Se Fachin convocar essa sessão antes do primeiro turno, as consequências poderão atingir diretamente a eleição. Lula e a esquerda passaram anos creditando a Moraes a “defesa da democracia”. Um julgamento público dessa crise pode derrubar essa narrativa justamente na reta final da campanha.
O movimento é determinante. Fachin terá de decidir se permite uma apuração transparente ou se assume o custo histórico de blindar Alexandre de Moraes.
Leia a carta na íntegra
A S. Exª o Ministro Edson Fachin,
Presidente do Supremo Tribunal Federal.
“Senhor Ministro Presidente,
Os ministros aposentados e ex-presidentes, abaixo assinados, vêm manifestar plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza de Vossa Excelência na condução dessa Suprema Corte, na mais aguda crise de sua história, e a absoluta convicção de que designará, com toda a urgência, sessão pública para que o Tribunal Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até mesmo a estabilidade das instituições democráticas.”
Em 8 de setembro de 2026.
Assinam:
* Néri da Silveira;
* Francisco Rezek;
* Sydney Sanches;
* Celso de Mello;
* Carlos Velloso;
* Ilmar Galvão;
* Nelson Jobim;
* Ellen Gracie;
* Cezar Peluso;
* Ayres Britto;
* Joaquim Barbosa;
* Eros Grau;
* Rosa Weber.


