Getúlio chegou ao poder passando por cima das urnas. Ignorou o resultado das eleições, decretou o Estado Novo e governou como ditador por quinze anos, sempre vendido como “pai dos pobres”. Voltou pelo voto, mas quem se acostuma a mandar sem freio não governa dentro das regras — e acabou em tragédia. Somados os períodos, quase vinte anos de um homem só no poder.
Um século depois, o roteiro se repete. O novo pai dos pobres já governou por quase doze anos, está no terceiro mandato e anuncia, sem nenhum constrangimento, que quer o quarto. Faça a conta: dezesseis anos de Lula caso vença o pleito, o que é absolutamente improvável.
Não é projeto de país. É vício de poder. A velha fórmula do caudilho — fazer-se imprescindível e convencer o povo de que a vida dele depende da manutenção daquela figura no palácio.
Getúlio fez isso no século passado. E aqui estamos, século virado, o mundo na palma das mãos, com a política nacional ainda presa a 1930.
Esse é o nosso atraso. Enquanto países sérios renovam seus líderes, o Brasil se ajoelha ao populismo. E o pior: o povo continua caindo na conversa. Vende-se salvação, entrega-se dependência. Vende-se cuidado, entrega-se poder eterno e consolida-se a pratica descarada da corrupção.
O nome mudou. O partido mudou. O século mudou. O vício é o mesmo.


