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O Sul e Criciúma bombando na representatividade! E as demais regiões?

Criciúma saiu das urnas com uma força política impressionante. Dos 16 deputados federais eleitos por Santa Catarina, seis têm ligação com o município: Júlia Zanatta, Giovana Mondardo, Julio Garcia, Ricardo Guidi, Daniel Freitas e Geovania de Sá. Somando Zé Milton, de Sombrio, o Sul chega a sete representantes. Quase metade da bancada catarinense em Brasília.

O resultado atravessa partidos e campos ideológicos. Há representantes do PL, PCdoB, PSD, PP e Republicanos. É uma demonstração da capacidade da região de produzir lideranças, organizar candidaturas e conquistar votos também fora de suas bases. Criciúma tem tradição de participação política e acaba de transformar essa característica em poder de representação.

Na Assembleia Legislativa, o Sul também terá sete deputados: Guilherme Colombo, Jessé Lopes, Clésio Salvaro, Pepê Collaço, Delegado Ulisses Gabriel, Tiago Zilli e Rodrigo Minotto. Um contingente importante para defender investimentos, infraestrutura e as prioridades regionais.

Mérito do Sul. Mas o resultado abre uma discussão que Santa Catarina precisa enfrentar: como assegurar que as demais regiões também tenham voz e capacidade de influência?

O debate sobre o voto distrital

Na eleição para a Câmara e para a Assembleia, o estado inteiro funciona como uma única circunscrição. O sistema proporcional distribui as cadeiras entre partidos e federações conforme a votação, mas não reserva representação para cada região. Uma área pode concentrar parlamentares, enquanto outra depende de lideranças cuja principal base política está distante.

Todos os deputados representam Santa Catarina. Na prática, porém, a proximidade com uma região pesa na definição de prioridades, na destinação de emendas e na cobrança por obras. Ter alguém que conheça os problemas locais e seja cobrado diariamente por eles faz diferença.

É aí que o voto distrital misto merece entrar na pauta. Parte das cadeiras seria preenchida pela representação proporcional e parte pela eleição de um deputado em cada distrito. O eleitor manteria a possibilidade de escolher um projeto partidário e teria uma referência territorial direta para cobrar resultados.

Num cenário de bancada catarinense com 20 cadeiras, por exemplo, seria possível discutir dez vagas proporcionais e dez distritais. É uma hipótese de desenho institucional, que exigiria mudança nas regras e distritos com equilíbrio populacional. A ampliação da bancada, por si só, não cria representação regional.

Mais cadeiras, melhor distribuição

Santa Catarina permaneceu com 16 deputados federais em 2026. A revisão que poderia elevar esse número para 20 ficou para o horizonte de 2030, depois do veto presidencial à ampliação da Câmara e da decisão do STF de manter a composição atual nesta eleição.

O estado precisa cobrar a adequação de sua bancada ao crescimento populacional. Mas também deve discutir como aproximar representantes e representados.

Na Alesc, o quadro exige uma leitura própria: o Vale do Itajaí terá 11 deputados; o Oeste, oito; o Sul e a Grande Florianópolis, sete cada; o Norte, cinco; e a Serra, dois. Portanto, a concentração sulista aparece com muito mais força na bancada federal.

Criciúma fez a sua parte e merece reconhecimento. A pergunta do título fica para as demais regiões e para os dirigentes partidários: onde estão a organização, as lideranças e os projetos capazes de ampliar sua presença nas decisões?

O Sul mostrou força. Santa Catarina precisa transformar a discussão sobre representatividade em uma pauta concreta.

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