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PÁSCOA: Cristo é nossa esperança também em tempos de pandemia

Paulo Vendelino Kons
Historiador

O acontecimento maior da nossa fé tem seu eixo na liturgia da Semana Santa, ocasião em que os cristãos meditam e entram em cheio na paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, manifestada no despojamento e aniquilamento do Servo de Javé, rei humilde e obediente (cf. Is 52, 13-53), até a morte e morte na cruz.

O nosso Deus é essencialmente bom e terno, passa da morte à vida, afirmando-nos que a tristeza e o desânimo são coisas do passado. A esperança e o otimismo, mesmo no momento atual vivido por toda a humanidade, ameaçada por uma doença invisível e insidiosa, que há algum tempo entrou com prepotência na vida de todos nós, quer contagiar nossa existência, na certeza de que Jesus venceu a morte e quis se estabelecer para sempre no meio da sua gente querida. “Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou!” (Lc 24, 5-6).

Páscoa é a vida indo ao encontro da vida e se distanciando da morte, evidenciada na vitória e no milagre da vida a partir do duro contexto da morte. Sempre devemos dar uma grande importância à simbologia da água como símbolo da vida, porque nela as pessoas renascem no batismo para a vida do mundo (cf. Jo 3, 1-7), do fogo, na luz do Círio Pascal, o fogo novo, da luz que nasce das trevas, sinal do Senhor ressuscitado, da vitória diante da angústia da morte. O fogo como sinal da presença de Deus no decorrer da história. A luz é a própria vida, pela presença do Cristo Jesus, trazendo vida à criatura humana, no “duelo forte e mais forte, na vida que vence a morte”, também no tempo presente, marcado dia após dia pelo medo angustiado, novas incertezas e, sobretudo, pelo sofrimento físico e moral generalizado.

Páscoa é a vitória da vida sobre a morte, trazendo a esperança e a grande oportunidade para a criatura humana assumir uma vida nova, uma vida diferente. Entendemos que “memória”, “presença” e “profecia” são um trinômio que só se compreende a partir da Páscoa, tendo o Senhor ressuscitado como o centro, como aquele que nos encoraja e enche de esperança. “Quem perde seus bens, perde muito; quem perde um amigo, perde mais; mas quem perde a coragem, perde tudo” (Miguel de Cervantes).

A Páscoa deve ser um processo que se realiza e que acontece, através do compromisso ético, na ação pastoral, no trabalho, no convívio social e nas mais diferenciadas atividades das pessoas que têm fé e que acreditam no futuro da humanidade e que “o Cristo, Nossa Páscoa”, com toda sua força, renova e deixa repleta de graça a face da terra.

Na celebração da Páscoa do Senhor de 2020 vemos brilhar, com esplendor, a luz de Cristo ressuscitado na devoção e cuidado que os profissionais da saúde e outros agentes mostram na linha de frente, buscando ajudar os enfermos. Vemos brilhar a bondade mostrada entre os vizinhos e em atos gentis e simples de compaixão de inúmeros bons samaritanos”.

Uma Páscoa abençoada e feliz,  com Jesus ressuscitado!

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