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Político de estatura moral, Amin exerceu nove mandatos em quase 60 anos de carreira

A derrota eleitoral não diminui a dimensão histórica de Esperidião Amin. Em uma época de lideranças passageiras e discursos descartáveis, o catarinense construiu uma trajetória que atravessa gerações. Carisma, honradez, desenvoltura verbal e inteligência acima da média são marcas de um personagem que conquistou seu lugar na história de Santa Catarina.

Sua atuação na administração pública remonta a 1969. São quase seis décadas de presença na vida catarinense, com uma longevidade que poucos alcançaram.

Nove mandatos

A conta é expressiva: duas passagens pela Prefeitura de Florianópolis, três mandatos de deputado federal, dois de governador e dois de senador. Nove mandatos, considerando o atual, que termina em janeiro de 2027. Uma trajetória construída no Executivo e no Legislativo, no Estado e em Brasília.

O primeiro começou em 1975, quando Antônio Carlos Konder Reis o nomeou prefeito da Capital. Em 1978, Amin foi eleito deputado federal. Licenciou-se para assumir a Secretaria dos Transportes e Obras do governo Jorge Bornhausen, função que ampliou sua projeção estadual e preparou o caminho para a disputa de 1982.

A força da sua terra

No restabelecimento das eleições diretas para governador, Amin venceu Jaison Barreto por apenas 12.650 votos. A Grande Florianópolis foi decisiva para o resultado.

Em sua base eleitoral original, abriu uma vantagem de aproximadamente 36 mil votos, quase três vezes a diferença final no Estado. A região compensou as perdas em outras áreas e sustentou uma das vitórias mais apertadas da história catarinense.

Ali já aparecia uma característica que o acompanharia: a capacidade de estabelecer uma ligação pessoal com o eleitor.

Uma carreira nacional

Depois do governo, voltou à Prefeitura de Florianópolis pelo voto direto, em 1988. Em 1990, conquistou o Senado. Disputou a Presidência da República em 1994 e retornou ao governo catarinense em 1998. Mais tarde, foi eleito deputado federal em 2010 e 2014, antes de voltar ao Senado em 2018.

Também presidiu nacionalmente o PPB, legenda da linhagem partidária que passou pelo PDS e pelo PPR. Sua projeção ultrapassou as fronteiras de Santa Catarina.

O peso das alianças

Reconhecer suas qualidades não exige esconder suas limitações. Amin sempre foi mais forte na comunicação com o eleitor do que na costura de alianças. Seu talento para a tribuna nem sempre encontrou correspondência na articulação dos bastidores.

Um dado merece registro: nas duas eleições em que conquistou o governo, em 1982 e 1998, Jorge Bornhausen estava na mesma composição, disputando o Senado. Ambos venceram nas duas ocasiões. A combinação entre o carisma de Amin e a capacidade de articulação de Bornhausen produziu resultados históricos.

Isso não autoriza uma explicação automática para todas as derrotas: em 2002, por exemplo, Bornhausen estava aliado a Amin. Mas evidencia o peso que a construção política teve em seus grandes momentos.

O tamanho permanece

A tentativa de conquistar o terceiro mandato de senador não prosperou em 2026. A urna encerrou essa disputa, mas não apaga a trajetória.

Amin conserva agilidade mental, repertório e uma presença parlamentar que impõe respeito. Sabe argumentar, conhece a administração pública e domina o debate. Sua estatura intelectual e moral permanece como referência.

O resultado de uma eleição define quem assume uma cadeira. A história é que estabelece o tamanho de quem passou por ela.