O encaminhamento da cúpula do Progressistas, em reunião marcada por momentos de tensão nesta segunda-feira à noite, redesenha, com nitidez, o tabuleiro da sucessão estadual. Por ampla maioria — praticamente unanimidade — candidatos proporcionais da sigla sinalizaram apoio à reeleição do governador Jorginho Mello, consolidando um movimento que já vinha sendo gestado nos bastidores e que agora se materializa com efeitos imediatos sobre aliados e adversários.
O gesto não apenas fortalece o projeto do atual governador, como também amplia o isolamento do pré-candidato do PSD, João Rodrigues, que segue enfrentando dificuldades crescentes para estruturar uma candidatura competitiva, conforme temos observado neste espaço. Ainda mais se considerarmos que João colocou o bloco na rua antes mesmo de se reeleger prefeito da capital do Oeste.
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Voto vencido
Entre as principais lideranças progressistas presentes, apenas o deputado estadual Altair Silva destoou, mantendo fidelidade ao projeto de João Rodrigues. O gesto, no entanto, foi isolado e incapaz de alterar a postura já consolidada dentro do partido. Além de isolada, foi uma posição previsível: Altair tem base política em Chapecó.
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Amin cede
Ainda que contrariado, o senador Esperidião Amin deixou claro que seguirá a orientação partidária — movimento que expõe, de forma inequívoca, a força do consenso interno. Amin, que nunca trocou de partido, se pronunciou sem citar qualquer candidato ao governo. E deixou o encontro antes do final.
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Tripé
Na prática, isso implica a aceitação de um cenário que o próprio Amin rejeitava até pouco tempo: a presença de três candidaturas competitivas ao Senado para apenas duas vagas no campo conservador.
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Arranjo ao Senado
O desenho que se impõe é peculiar. O PP lançaria Amin em candidatura avulsa ao Senado, enquanto, na chapa encabeçada por Jorginho Mello, estarão Carol De Toni e Carlos Bolsonaro.
Na prática, PL, PP e Novo caminhariam juntos no plano majoritário estadual, mas com interesses que podem colidir diretamente na disputa pelas vagas ao Senado — especialmente no que diz respeito ao desempenho de Carlos Bolsonaro diante da presença de Amin. Como já reiteramos aqui, a grande disputa em Santa Catarina será pelas duas vagas à Câmara Alta.
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Federação manda
No campo institucional, a futura federação entre PP e União Brasil tende a seguir a mesma direção. O recado de Brasília é inequívoco: a palavra final caberá a quem detém o mandato mais relevante — no caso, o senador Esperidião Amin.
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Goela abaixo
Isso coloca o deputado federal Fábio Schiochet e demais lideranças do União Brasil em posição de alinhamento automático ao encaminhamento definido pelo senador e pelo conjunto da federação. Vale lembrar que a cúpula do União Brasil vinha mantendo conversas avançadas com João Rodrigues.
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PSD encurralado
Enquanto isso, o PSD de João Rodrigues vê seu espaço político encolher de forma acelerada. O avanço de Jorginho Mello sobre partidos estratégicos — PP, União Brasil e até setores do MDB — cria um cenário de compressão que dificulta, cada vez mais, a montagem de uma chapa robusta a ser liderada pelo prefeito.
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Incógnita
O próprio João Rodrigues já admite hipóteses antes improváveis, como a possibilidade de não disputar o governo ou até mesmo de deixar o partido.
A renúncia anunciada para o próximo dia 21, em Chapecó, passa a ser um ponto de interrogação: será mantida ou revista diante do novo quadro?
O colunista vem apostando, há bastante tempo, que João não será candidato a governador — por diversos fatores.
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Caminhos fechados
As alternativas são escassas. Uma eventual migração de João para União Brasil ou PP esbarraria no fato de que ambos caminham, direta ou indiretamente, com Jorginho Mello.
Restaria o MDB — mas ali também há fissuras importantes, com segmentos já inclinados à reeleição do atual governador.
E, convenhamos, a esta altura do campeonato, o prefeito sair do PSD para se aventurar em uma candidatura pelo MDB é, no mínimo, improvável. Não seria um movimento politicamente palatável nem estratégico.
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Polarização
O desfecho mais provável começa a ganhar contornos: uma eleição fortemente polarizada, reproduzindo no Estado o embate nacional.
Em Santa Catarina, a polarização tende a se consolidar entre Jorginho Mello, pela direita, e Gelson Merisio, representando o campo da esquerda.
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Sem espaço
Eventuais articulações alternativas, como uma candidatura estimulada por Jorge Bornhausen ou envolvendo Raimundo Colombo, esbarram em um problema elementar: falta de base partidária disponível. Inexistência de aliados.
Com as principais siglas já comprometidas — seja formalmente, seja por alinhamento político —, o espaço para uma terceira via competitiva praticamente desaparece.
Além disso, não há, neste momento, um discurso consistente que sustente essa construção.
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Jogo definido
No fim das contas, o movimento do PP é um ponto de inflexão que acelera a consolidação de forças e antecipa, com meses de antecedência, o desenho central da disputa de 2026 em Santa Catarina.
E, neste momento, todas as setas apontam na mesma direção: vantagem estratégica para quem já está no poder — o governador Jorginho Mello, que caminha com força para tentar liquidar a fatura ainda no primeiro turno.






