O ex-governador e pré-candidato a deputado federal pelo PSD, Raimundo Colombo, defende que a revisão da reforma tributária seja uma das principais pautas do próximo Congresso Nacional. Em entrevista à Rádio Tropical FM, de Treze Tílias, Colombo afirma que a proposta aprovada precisa ser reavaliada para evitar prejuízos à economia catarinense, especialmente aos setores produtivos e aos pequenos municípios.
Segundo ele, a mudança do modelo de arrecadação, que deixa de tributar a produção para concentrar a cobrança no consumo, pode retirar competitividade de Santa Catarina. “A reforma tributária representa uma transformação muito profunda e que não foi suficientemente estudada. Precisamos dar mais tempo para discutir seus efeitos e corrigir pontos que podem causar enormes prejuízos ao Estado”, ressalta.
Colombo cita como exemplo a cadeia da proteína animal, um dos principais motores da economia catarinense. O Estado é um dos maiores produtores e exportadores de carne suína e de frango do país, mas depende da importação de milho e soja de outras regiões para a produção de ração. Conforme o pré-candidato, durante anos os incentivos fiscais compensaram o elevado custo do transporte desses insumos, permitindo que as indústrias permanecessem em Santa Catarina.
“Com o fim dos incentivos previsto na reforma tributária, muitas empresas podem migrar para regiões produtoras de grãos. Isso coloca em risco uma cadeia que movimenta bilhões de reais por mês, gera centenas de milhares de empregos e sustenta boa parte da economia catarinense”, alerta.
Outro ponto de preocupação é o impacto sobre o setor de serviços e sobre os pequenos municípios. Para Colombo, a tributação baseada no consumo tende a concentrar arrecadação nas grandes cidades, reduzindo receitas das localidades menores e incentivando ainda mais o êxodo populacional.
“O Brasil precisa simplificar seu sistema tributário, mas não pode criar um modelo que aumente as desigualdades regionais. É necessário aperfeiçoar a proposta antes da implantação definitiva”, defende.
Durante a entrevista, Colombo também destaca a necessidade de ampliar a representação política do Meio-Oeste e da Serra Catarinense em Brasília. Segundo ele, enquanto outras regiões concentram parlamentares, essas áreas perderam espaço nas decisões políticas.
“Quem não senta à mesa para discutir acaba sendo esquecido. Sem representação, fica mais difícil conquistar investimentos em infraestrutura, saúde, educação e logística”, afirma.
Para o ex-governador, quatro fatores determinam o desenvolvimento de uma região: densidade populacional, força econômica, capacidade de comunicação e representação política. “Quando uma região perde representantes, perde também a capacidade de defender seus interesses.”


