Toda eleição tem seus azarões. Em Santa Catarina, desta vez, foram duas “azaronas” na disputa pelas 16 cadeiras da Câmara Federal.
A maior surpresa foi Giovanna Mondardo, vereadora de Criciúma pelo PCdoB, com 114.792 votos. Em 2022, ela havia feito quase 40 mil e ficou fora. Agora, explodiu eleitoralmente.
Mondardo construiu boa parte da campanha no contraponto a Júlia Zanatta, também de Criciúma, mas no extremo oposto do espectro político. Júlia, por sua vez, confirmou sua enorme força e passou dos 560 mil votos.
Os números colocam Mondardo em outro patamar dentro da esquerda catarinense e já permitem enxergá-la como possível nome para a disputa pela prefeitura de Criciúma em 2028.
A outra surpresa foi Paulinha Silva. Não pela falta de potencial eleitoral da ex-prefeita de Bombinhas e deputada estadual, mas pela dúvida sobre a capacidade do Podemos de alcançar legenda para eleger um federal. Conseguiu.
As mulheres novamente no topo
Na Assembleia Legislativa, repetiu-se a dobradinha feminina de 2022.
Ana Campagnolo, do PL, saiu de cerca de 196 mil votos para impressionantes 387 mil. Hoje ligada politicamente a Itajaí, mas com origem em Chapecó, consolida-se como uma das maiores lideranças eleitorais da direita catarinense.
Do outro lado, Luciane Carminatti, do PT, também de Chapecó, passou de aproximadamente 92 mil para 124 mil votos.
Dois deputados que buscavam a reeleição surpreenderam com expressivas votações: Sérgio Guimarães e Lucas Neves, ambos na casa dos 80 mil votos.
Campagnolo, porém, abriu uma distância gigantesca. E eleição tem disso: discurso ajuda, posicionamento ajuda, estrutura ajuda. Mas no fim das contas, o que vale mesmo é voto.
Decepções e uma ausência sentida
Entre os resultados abaixo da expectativa, chama atenção Clésio Salvaro.
Pela trajetória e pelo peso político do ex-prefeito de Criciúma, havia quem projetasse uma votação próxima dos 100 mil votos. Não chegou aos 60 mil.
Também merece registro a não reeleição de Mateus Cadorin, do Novo, de Joinville. Fez um mandato consistente e bastante identificado com as bandeiras que o elegeram, mas acabou ficando pelo caminho.
Na sigla, quem avançou foi o ex-promotor público de Blumenau Odair Tramontin.
É a velha regra da política: alguns surpreendem, outros confirmam força e há quem descubra, da forma mais dura, que eleição passada não garante absolutamente nada na próxima.







