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Reforma tributária e a resposta estratégica da hotelaria corporativa

Adriano Palma Silva – CEO do Faial Prime Suites

A regulamentação da Reforma Tributária, ao restringir o aproveitamento de créditos sobre hospedagem em viagens de trabalho, já acendeu um alerta no setor produtivo. No turismo de negócios, a discussão deixou de ser apenas jurídica ou contábil. Ela passou a ser estratégica.

Para quem atua diariamente na hotelaria corporativa em uma cidade-polo como Florianópolis, o movimento é claro: as empresas estão mais sensíveis a custos, revisando políticas de deslocamento e exigindo ainda mais eficiência de seus parceiros. E o setor hoteleiro já entendeu o recado.

O turismo de negócios não é acessório na economia brasileira. Em 2025, movimentou cerca de R$13,7 bilhões no país, com a hotelaria respondendo por aproximadamente 31% desse total. Em cidades que combinam vocação turística com protagonismo empresarial, o viajante corporativo é o que garante fluxo constante ao longo do ano, reduz sazonalidades e sustenta uma cadeia ampla de serviços.

Diante de um cenário de possível aumento de custos, a reação natural poderia ser defensiva. Mas o que vemos, na prática, é uma mudança de postura: o setor está se reposicionando para entregar ainda mais valor ao viajante corporativo.

Isso significa revisar processos, investir em tecnologia, otimizar tempo de check-in e check-out, oferecer espaços funcionais para reuniões, garantir conectividade eficiente e fortalecer parcerias com empresas. Significa entender que, se o custo da viagem passa a ser mais analisado dentro das corporações, cada detalhe da experiência precisa justificar o investimento.

No Faial Prime Suites, localizado no centro da capital catarinense, essa prioridade já é prática. Estrutura exclusiva e funcional, localização estratégica, agilidade operacional e foco total na rotina executiva deixaram de ser diferenciais e passaram a ser obrigação. O viajante corporativo quer eficiência. E as empresas querem previsibilidade, transparência e custo-benefício.

Há também uma mudança mais profunda: a hotelaria corporativa passa a ocupar um papel ainda mais consultivo. Não somos apenas fornecedores de hospedagem; somos parceiros na estratégia de deslocamento das empresas. Em um ambiente de maior pressão tributária, ganha relevância quem ajuda a otimizar agendas, reduzir deslocamentos internos e transformar a estadia em produtividade.

É evidente que o debate tributário precisa continuar. A hospedagem em viagem de trabalho é parte da atividade econômica e merece tratamento compatível com essa natureza. No entanto, enquanto o cenário se consolida, o setor já se movimenta.

Cidades como Florianópolis dependem do dinamismo empresarial que passa pelos hotéis, centros de eventos, restaurantes e serviços. Manter esse fluxo ativo exige adaptação, visão estratégica e capacidade de antecipação.

A reforma pode alterar regras. O que não pode mudar é a compreensão de que o turismo corporativo é um motor de desenvolvimento. E, diante de novos desafios, a hotelaria voltada aos negócios mostra que está pronta para evoluir — colocando o viajante corporativo, mais do que nunca, no centro da estratégia.