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Rogério Marinho sobe o tom contra o STF e se credencia para um papel ainda maior no Senado

Edson Fachin, presidente do STF, em audiência com senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro — Foto: Rosinei Coutinho/STF
Edson Fachin, presidente do STF, em audiência com senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro — Foto: Rosinei Coutinho/STF

Rogério Marinho não costuma ser conhecido pelo destempero. Muito pelo contrário. O senador potiguar, ex-ministro do Desenvolvimento Regional no governo Jair Bolsonaro, construiu em Brasília a imagem de um político de diálogo, articulação e capacidade de conversar para além da própria trincheira. Hoje, é também o coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

Por isso, quando Marinho sobe o tom, vale prestar atenção.

Ao reagir às informações sobre a estratégia do STF para lidar com a bancada favorável ao impeachment de ministros da Corte, o senador foi direto: classificou como inaceitável qualquer tentativa de constranger o Parlamento por meio de inquéritos ou medidas judiciais e voltou a defender uma reforma do Judiciário.

Não é apenas retórica. Marinho já apresentou proposta para impedir que pedidos de impeachment com amplo apoio no Senado fiquem eternamente na gaveta do presidente da Casa. Pela proposta, requerimentos com ao menos 49 assinaturas teriam tratamento obrigatório.

A diferença está justamente aí. Marinho consegue ser firme sem transformar firmeza em histeria. É uma voz de moderação dentro da direita, mas moderação não significa submissão.

Nos bastidores, seu nome já aparece entre os possíveis candidatos à Presidência do Senado em 2027. E o novo desenho político da Casa, depois do avanço da direita nas urnas, certamente aumenta seu peso nessa disputa.

Em entrevista a jornalistas, o senador afirmou que “não haverá vingança dos bolsonaristas contra os ministros, mas também não haverá omissão”

Se Flávio Bolsonaro chegar ao Planalto, Rogério Marinho tende a ocupar posição privilegiada na reorganização política de Brasília. Tem trânsito, experiência, conhece o Congresso e está no centro das articulações da campanha que terminou o primeiro turno na frente.

E talvez seja exatamente disso que o Senado esteja precisando: alguém disposto ao diálogo, mas sem medo de lembrar ao Supremo que, numa democracia, Poder independente não é Poder sem limite.

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm conversado sobre estratégias a serem adotadas diante da eleição de senadores que formam uma bancada com grandes chances de fazer impeachment de integrantes da corte e tentar esvaziar a atuação do tribunal.

A avaliação feita por quatro magistrados à coluna é que há duas frentes de atuação. Uma delas seria estabelecer diálogo com correligionários do PL que não são considerados da ala radical, que tem o ataque ao STF como bandeira.

A leitura é que, apesar de todos os senadores eleitos da extrema direita terem feito campanhas com ataques ao tribunal, há espaço para diálogo com uma ala desses parlamentares. Entre os eleitos citados nominalmente por ministros estão Reinaldo Azambuja, do Mato Grosso do Sul, e Eduardo Gomes, do Tocantins.

Outra frente envolve parlamentares que estão na mira de investigações da Polícia Federal sob a relatoria do STF. É o caso do senador do PL eleito pelo Rio de Janeiro, Carlos Jordy, investigado por suposto desvio de cotas parlamentares, e do senador e ex-governador eleito pelo Mato Grosso, Mauro Mendes, que também é investigado por desvios de recursos do seu estado envolvendo uma empresa de telefonia.

Ministros relataram à coluna que as investigações em andamento podem ter desdobramentos até mesmo antes dos senadores eleitos assumirem seus cargos. Com os inquéritos sob relatoria do STF, integrantes da corte avaliam que aqueles que têm situação complicada na Justiça não vão querer dobrar a aposta sobre o impeachment de ministros.

— A valentia vai até a página dois — disse um magistrado à coluna.

Bela Megale

Investigações criminais, bastidores do poder e a vida política de Brasília

Fonte O Globo: https://marreta.link/p/oglobo.globo.com/blogs/bela-megale/post/2026/10/de-dialogo-a-inqueritos-a-estrategia-do-stf-para-lidar-com-a-bancada-pro-impeachment.ghtml

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