Carlos Bolsonaro é um nome da política do Rio de Janeiro que agora pretende representar Santa Catarina no Senado. E é justamente aí que começa a discussão que não pode ser evitada.
Depois de anos de mandato no Rio, qual é o vínculo político, histórico e administrativo construído por Carlos Bolsonaro com Santa Catarina? Onde está sua trajetória catarinense? Onde estão os resultados apresentados ao nosso estado?
Uma coisa é ter sobrenome conhecido nacionalmente. Outra, completamente diferente, é ter história, trabalho e compromisso construídos aqui.
Santa Catarina não nasceu de acordos de cúpula partidária. Este estado foi construído por gente que chegou de longe, enfrentou fome, dificuldades e falta de oportunidades, trabalhou, empreendeu e deixou para seus filhos e netos um dos estados mais prósperos do Brasil.
Por isso, é legítimo perguntar: por que um político cuja carreira foi construída no Rio e pífia , deveria simplesmente desembarcar em Santa Catarina e reivindicar uma cadeira no Senado?
O Senado não é prêmio de família. Não é extensão de sobrenome. Não é propriedade de partido. É representação de um estado.
E representação exige mais do que fama, seguidores e uma máquina política nacional.
Exige conhecer Santa Catarina. Ter compromisso com sua realidade. Conhecer suas cidades, seus problemas, sua economia, sua gente e, principalmente, apresentar resultados que possam ser cobrados.
A política catarinense precisa ter coragem para fazer essa pergunta , sem medo de sobrenome, de padrinho político ou de pressão partidária:
qual é a contribuição concreta que Carlos Bolsonaro tem para apresentar aos catarinenses?
Se a resposta estiver apenas no sobrenome, então a discussão já começou errada.
Santa Catarina merece que seus candidatos sejam julgados pelo que fizeram, pelo que defendem e pelo que efetivamente podem entregar ao estado.
Aqui não basta chegar. É preciso ter história. É preciso ter trabalho. É preciso ter vínculo. É preciso representar.
Senado não é herança.
Santa Catarina não pode ser tratada como território de conveniência eleitoral.
Chega de ”haole” no senado catarinense.
Alvaro Danton Bertoli
Administrador
MBA em E-Com mercê
Ex diretor e presidente do Badesc.


