Jorginho Mello e Lula da Silva passaram o mandato alimentando um distanciamento político que comprometeu a interlocução entre os governos estadual e federal.
Um equívoco brutal de ambas as partes. É bom que se registre. O governador alfinetava, o presidente provocava, e a relação administrativa ficava espremida no meio do enfrentamento.
Quem acabou penalizado? A sociedade catarinense. A responsabilidade não pode ser empurrada exclusivamente para um lado.
O estado merece respeito
Santa Catarina produz, exporta, gera empregos e movimenta uma economia diversificada. Tem indústria, agronegócio, turismo, tecnologia e uma estrutura portuária estratégica para o país.
Não pode continuar convivendo com gargalos logísticos que encarecem a produção, comprometem a competitividade e infernizam a vida de quem precisa circular.
O catarinense trabalha e paga impostos. Não está pedindo favor. Está cobrando contrapartida.
Brasília deve respostas
O tratamento dispensado ao estado pelo governo federal precisa ser discutido com firmeza. Rodovias insuficientes, obras que se arrastam e soluções sempre adiadas compõem um cenário conhecido demais.
Santa Catarina não pode ser lembrada apenas na hora da arrecadação.
Mas reclamar de Brasília sem construir ponte capaz de cobrar providências também não resolve. Indignação precisa se transformar em pressão política organizada.
Tarcísio mostrou o caminho
Tarcísio de Freitas manteve sua identidade conservadora e recebeu Lula em agendas administrativas em São Paulo.
Conversar com o presidente não o transformou em petista. Tampouco significou abandonar suas posições políticas.
Jorginho poderia ter seguido essa linha. Governador precisa defender os interesses do estado, inclusive diante de um presidente que combate eleitoralmente. Essa é uma obrigação do cargo.
O barulho das redes
O receio de críticas dos lacradores profissionais não pode determinar a relação entre dois governos.
Sempre haverá quem transforme uma audiência administrativa em fotografia de suposta rendição. Mas administrar exige mais do que agradar à torcida das redes sociais.
Jorginho pode continuar sendo um governador de direita, crítico do PT e adversário de Lula. Nada disso o impede de sentar à mesa e cobrar o que Santa Catarina necessita.
A eleição terminou
Os dois foram reeleitos. Seus novos mandatos voltarão a coincidir, e o estado não pode atravessar mais quatro anos preso à mesma dificuldade de diálogo.
Jorginho tem força eleitoral, maioria parlamentar e legitimidade para apresentar as reivindicações catarinenses.
Lula tem a obrigação de governar para todos os estados. Inclusive para aquele em que sofreu uma derrota expressiva nas urnas. O dinheiro federal não pertence ao PT.
As rodovias não esperam
BR-282, BR-280, BR-470 e os trechos saturados da BR-101 exigem encaminhamentos concretos.
São problemas que atingem o transporte de cargas, a segurança, o turismo e a rotina de milhares de famílias.
Enquanto as autoridades trocam estocadas, o caminhão fica parado, a mercadoria encarece e o trabalhador perde horas no trânsito. Discurso inflamado não duplica rodovia.
A iniciativa é de Jorginho
O governador deve solicitar uma audiência no Palácio do Planalto e levar uma pauta objetiva: obras, recursos, prioridades e cronogramas.
Sem constrangimento e sem cerimônia excessiva. Vai representar um estado que exige respeito.
Pedir uma audiência não apequena Jorginho. Demonstra disposição para exercer integralmente o mandato. Quem tem força política precisa utilizá-la para produzir resultados.
A bancada inteira
Os três senadores e os 16 deputados federais devem participar dessa cobrança, incluindo os parlamentares de esquerda.
A responsabilidade pelas necessidades catarinenses não se encerra na fronteira de uma coligação.
Os aliados de Lula também precisam demonstrar para que serve sua proximidade com o presidente.
Chega de pagar a conta
O eleitor não precisa escolher entre convicção política e obra entregue. Tem direito às duas coisas.
Jorginho deve tomar a iniciativa. Lula deve recebê-lo e responder às reivindicações com seriedade.
A divergência continuará existindo. O que precisa terminar é a incapacidade de encaminhar os interesses do estado por causa dela.
Santa Catarina não pode continuar pagando a conta dessa briga.


