Estado chega pela primeira vez ao topo do Ranking de Competitividade dos Estados, encerra 14 anos de liderança paulista e se destaca pela regularidade em áreas como segurança pública, capital humano, sustentabilidade social e potencial de mercado
Santa Catarina alcançou um resultado histórico no cenário nacional. Pela primeira vez, o Estado assumiu a liderança do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), ultrapassando São Paulo, que ocupava a primeira colocação havia 14 anos consecutivos.
O resultado coloca Santa Catarina no topo de um dos principais levantamentos utilizados para avaliar a capacidade dos estados brasileiros de oferecer um ambiente favorável ao desenvolvimento econômico e social.
Mais do que liderar áreas específicas, o desempenho catarinense chama atenção pela regularidade. Santa Catarina está entre os cinco melhores estados brasileiros em todos os dez pilares considerados pelo levantamento, demonstrando equilíbrio entre gestão pública, economia, segurança, qualificação profissional e indicadores sociais.
O ranking analisa as 27 unidades da Federação por meio de 100 indicadores, organizados em dez grandes pilares: infraestrutura, sustentabilidade social, segurança pública, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública, capital humano, sustentabilidade ambiental, potencial de mercado e inovação.
Consistência coloca Santa Catarina no topo
O professor Renato Eliseu Costa, doutor em políticas públicas e professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq/USP, explica que São Paulo continua apresentando áreas de excelência, mas Santa Catarina conseguiu construir um desempenho mais equilibrado.
Segundo o especialista, o Estado catarinense apresenta uma competitividade mais sistêmica, sem um grande ponto de deficiência capaz de comprometer seu desempenho geral.
Esse equilíbrio foi determinante para a mudança na liderança nacional.
São Paulo, agora na segunda colocação, permanece como referência em áreas importantes e continua liderando os pilares de infraestrutura, educação e sustentabilidade ambiental. Ainda assim, a combinação dos diferentes indicadores permitiu que Santa Catarina ultrapassasse o estado paulista na classificação geral.
Santa Catarina lidera quatro pilares
O desempenho catarinense é particularmente expressivo em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento.
Santa Catarina aparece na liderança nacional nos pilares de:
- segurança pública;
- sustentabilidade social;
- potencial de mercado;
- capital humano.
Também houve evolução significativa no funcionamento da administração estadual. No indicador de eficiência da máquina pública, Santa Catarina saltou da 10ª para a 3ª colocação nacional.
O avanço mostra que o Estado não apenas preservou boas posições em áreas nas quais tradicionalmente apresenta resultados positivos, mas também conseguiu melhorar indicadores ligados diretamente à capacidade administrativa do poder público.
Menor taxa de desemprego do Brasil
Outro fator importante para o desempenho catarinense vem do mercado de trabalho.
Dados da Pnad Contínua referentes ao primeiro trimestre de 2026 mostram que Santa Catarina registrou a menor taxa de desocupação do País.
O resultado reforça a posição do Estado em indicadores relacionados ao capital humano e ao potencial de mercado.
A combinação entre emprego, atividade econômica, qualificação profissional e ambiente produtivo contribui para explicar por que Santa Catarina conseguiu alcançar uma posição de destaque mesmo diante de um cenário econômico nacional marcado por juros elevados e maior custo de capital.
Sul ganha força no ranking nacional
O novo levantamento também evidencia a força dos estados do Sul.
Com Santa Catarina em primeiro lugar, São Paulo aparece na segunda posição, enquanto o Paraná ocupa o terceiro lugar.
O Paraná está entre os dez primeiros colocados em todos os pilares considerados pelo levantamento.
O Rio Grande do Sul, por sua vez, avançou uma posição e chegou ao quarto lugar nacional, mesmo após enfrentar os impactos econômicos e sociais provocados pelas grandes enchentes registradas no Estado.
Para Tadeu Barros, diretor-presidente do Centro de Liderança Pública, alcançar essa posição depois das adversidades enfrentadas pelos gaúchos representa um feito relevante.
Assim, três estados da Região Sul aparecem entre os quatro primeiros colocados do Brasil.
Centro-Oeste também avança
O ranking mostra ainda uma mudança gradual na geografia da competitividade brasileira.
Todos os quatro estados da Região Centro-Oeste aparecem entre os dez primeiros colocados em 2026.
Na avaliação do professor Renato Eliseu Costa, o desempenho sugere que o tradicional eixo de desenvolvimento formado pelas regiões Sul e Sudeste começa a ser acompanhado por um bloco cada vez mais competitivo no Centro-Oeste.
Historicamente, as dez primeiras colocações do ranking são ocupadas por unidades federativas dessas três regiões.
Piauí alcança melhor posição de sua história
O levantamento também registra avanços importantes fora das regiões tradicionalmente mais competitivas.
Um dos destaques é o Piauí, que alcançou a 19ª colocação, sua melhor posição desde o início da série analisada.
O Estado apresentou evolução em solidez fiscal e chegou ao terceiro lugar nacional no pilar de potencial de mercado, que considera indicadores como comprometimento de renda e taxa de inadimplência.
Na avaliação do CLP, o resultado mostra que melhorias importantes em competitividade não estão restritas aos estados de maior renda, embora ainda exista uma distância significativa entre diferentes regiões brasileiras.
O Ceará também apresentou avanço e chegou à 11ª colocação geral, além de alcançar o 5º lugar nacional em Educação. Alagoas aparece em terceiro lugar no pilar de Inovação, enquanto o Maranhão ocupa a terceira posição em Solidez Fiscal.
Desigualdades regionais continuam grandes
Apesar dos avanços, o ranking também expõe as diferenças estruturais existentes entre as regiões do País.
Os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste continuam concentrando as primeiras posições, situação associada a fatores históricos relacionados a infraestrutura, capital humano, formalização da economia, serviços públicos e capacidade institucional.
Na avaliação de Renato Eliseu Costa, esses fatores acabam se reforçando ao longo do tempo.
Um ambiente com maior capital humano favorece a inovação. A inovação pode aumentar a produtividade, que por sua vez sustenta melhores salários, maior formalização e arrecadação. Com uma arrecadação maior, os governos também ampliam a capacidade de financiar infraestrutura e políticas públicas.
Já na Região Norte, características geográficas representam obstáculos adicionais, incluindo grandes distâncias, baixa densidade populacional em extensas áreas, maior complexidade logística e menor capilaridade da infraestrutura física e digital.
Rio de Janeiro fica fora dos dez primeiros
Outro dado que chama atenção é a situação do Rio de Janeiro.
Embora tenha avançado duas posições, o Estado continua sendo o único representante da Região Sudeste fora do grupo dos dez mais competitivos do Brasil.
Um dos principais problemas fluminenses está na área fiscal. No pilar de solidez fiscal, o Rio de Janeiro aparece apenas na 23ª posição. A diferença em relação aos outros três estados do Sudeste chega a aproximadamente 37 pontos nesse indicador.
Ao mesmo tempo, o Rio apresenta bons indicadores em qualificação profissional e produtividade. O Estado ocupa o terceiro lugar em qualificação dos trabalhadores e o segundo em produtividade do trabalho, mas registra a pior avaliação em desocupação de longo prazo e inserção econômica.
O cenário mostra a dificuldade de transformar ativos importantes — como universidades, mão de obra qualificada, serviços sofisticados e uma grande base econômica — em competitividade de maneira mais ampla.
País avança, mas ainda enfrenta desafios
O levantamento aponta que a média nacional de competitividade aumentou entre 2025 e 2026, mesmo diante de um ambiente econômico marcado por juros elevados e maior custo do capital.
Entre os indicadores que ajudam a explicar essa resiliência estão o baixo desemprego e o crescimento da economia brasileira.
O ranking identificou melhora superior a 30% na mediana de sustentabilidade ambiental, além de avanço no potencial de mercado e crescimento de aproximadamente 3% no pilar de educação.
Nem todos os indicadores, porém, apresentaram evolução.
A segurança pública registrou piora de 9,3% na mediana da nota bruta geral, enquanto eficiência da máquina pública e solidez fiscal também apresentaram resultados inferiores na comparação nacional.
Resultado histórico para Santa Catarina
A chegada de Santa Catarina à primeira colocação consolida uma trajetória de crescimento observada nos últimos anos.
O resultado ganha peso especialmente por não estar concentrado em apenas uma área. O Estado conseguiu reunir boas posições em segurança, desenvolvimento social, emprego, capital humano, potencial econômico e administração pública, permanecendo entre os cinco melhores do Brasil em todos os pilares analisados.
Depois de 14 anos consecutivos de liderança de São Paulo, o Ranking de Competitividade dos Estados passa, portanto, a ter um novo líder.
E, pela primeira vez, esse líder é Santa Catarina.
Informações com base na divulgação do ranking de estados publicado no Centro de Liderança Pública.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Florianópolis


