O início do julgamento do mandato do senador Jorge Seif no Tribunal Superior Eleitoral reacendeu o debate político em Santa Catarina, mas, ao que tudo indica, o desfecho deve ser bem diferente do clima de incerteza que marcou as últimas semanas. O voto do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques, pela absolvição, reposicionou o cenário e consolidou a leitura de que a Corte não enxerga elementos suficientes para a cassação.
Mais do que um embate jurídico, o caso sempre teve forte repercussão política. A ação foi movida pela coligação que tinha Raimundo Colombo como candidato ao Senado em 2022, sob a alegação de abuso de poder econômico. Agora, com o julgamento em curso, a tendência predominante nos bastidores de Brasília é de manutenção do mandato conferido pelas urnas.
Voto-chave
O posicionamento do relator tem peso decisivo. Floriano Marques analisou o conjunto de provas e concluiu que não há materialidade robusta capaz de sustentar a perda do mandato. No TSE, o voto do relator costuma balizar os demais ministros, sobretudo quando a fundamentação é técnica e alinhada à jurisprudência recente da Corte.
Tendência
A expectativa em Brasília é de que a maioria do plenário acompanhe o relator. Embora cada ministro tenha independência, o histórico do tribunal em casos semelhantes aponta para cautela redobrada quando se trata de cassar mandato majoritário sem prova inequívoca de irregularidade grave.
Peso das urnas
Outro elemento que sempre aparece nesse tipo de julgamento é a dimensão do resultado eleitoral. Seif foi eleito com votação expressiva e ampla vantagem — mais de 900 mil votos — sobre o segundo colocado. Ainda que votos não blindem ilegalidades, tribunais eleitorais tradicionalmente evitam interferir no resultado das urnas sem evidência contundente.
Clima institucional
O julgamento também ocorre em um momento sensível na relação entre os Poderes, com o Judiciário sob forte escrutínio político. Esse ambiente reforça a tendência de decisões juridicamente conservadoras, especialmente em processos de grande repercussão institucional.
Efeito em SC
Caso a absolvição se confirme, o cenário político catarinense se estabiliza. Cai por terra a especulação sobre uma eventual nova eleição para o Senado e se recompõe o horizonte das lideranças que já projetam os movimentos para 2026 e, mais adiante, 2030.
Olho no futuro
Mantido no cargo, Seif preserva capital político e passa a integrar, de forma mais consistente, o tabuleiro das articulações futuras da direita catarinense. Ao mesmo tempo, lideranças como o governador Jorginho Mello seguem com caminho desobstruído para desenhar seus próprios projetos eleitorais de longo prazo.
No fim das contas, o julgamento que começou sob tensão caminha para um desfecho previsível em Brasília — e decisivo para devolver previsibilidade ao jogo político em Santa Catarina.







