Blog do Prisco
Notícias - Lateral

Seminário no TJSC analisa judicialização e seus efeitos na saúde pública e suplementar

Esperança de curas e limitação de recursos convivem lado a lado no sistema de saúde 

“A judicialização da saúde não é um fenômeno abstrato, tampouco um fenômeno raro. Ela nasce quase sempre da angústia de quem vê na porta do Judiciário a última esperança. É a expressão concreta de um direito fundamental, mas também o reflexo de um sistema que ainda não consegue responder, de forma homogênea e tempestiva, às necessidades de todos. Estamos aqui porque reconhecemos algo simples, mas profundo: nenhum setor é capaz de sustentar a complexidade do direito à saúde”, observou.

Ele manifestou ainda sua satisfação em abrir os debates e se disse honrado em participar de um encontro que reúne magistrados, profissionais da saúde, gestores, pesquisadores e representantes das mais diversas instituições comprometidas com a vida e com a Justiça. A diretora-executiva da Academia Judicial (AJ), desembargadora Vera Lúcia Ferreira Copetti, deu boas-vindas aos participantes e frisou que o encontro é realizado pela segunda vez no TJ com a participação da Academia.

“Todos nós aqui presentes, no exercício das diversas profissões que desempenhamos, enfrentamos desafios éticos, desafios humanos e decisórios que aproximam as nossas áreas. Por isso aqui estamos. Além de unirmos as questões relacionadas ao direito e à saúde, preservamos um ideal de evolução e mantemos um olhar para o futuro”, lembrou a desembargadora.

O presidente do Instituto de Ensino e Pesquisas do Hospital SOS Cárdio, de Florianópolis, cirurgião cardiovascular Sérgio Lima de Almeida, também trouxe suas reflexões para discutir no evento, promovido pelo TJSC por meio da AJ, em parceria com seu Instituto. Para o médico, poucas áreas da vida contemporânea revelam, com tanta intensidade, as tensões da nossa sociedade como a saúde.

“De um lado, o avanço extraordinário da medicina, capaz de oferecer tratamentos e tecnologias que, há poucas décadas, nem sequer poderíamos imaginar. De outro, sistemas de saúde que precisam lidar com recursos necessariamente limitados, demanda crescente e expectativas cada vez maiores da população, Entre esses dois mundos, o da esperança e o da limitação, surge com frequência um terceiro ator: o Poder Judiciário”, analisou. No seu entendimento, o tema – o impacto da judicialização sobre a saúde pública e suplementar – é crucial e somente o debate aprofundado, a partir de diferentes perspectivas, poderá trazer novos caminhos para um sistema mais justo e eficiente para todos.

Dividido em painéis, o evento reúne entre hoje e amanhã, dias 19 e 20 de março, 50 especialistas das áreas da saúde e do direito de todo o país, entre médicos, magistrados, gestores hospitalares, representantes do setor de saúde suplementar e legisladores. A primeira mesa-redonda teve como tema “Rol da ANS, Judicialização e Novas Tecnologias”, e contou com o juiz federal Clenio Jair Schulze como coordenador. As participantes foram a advogada com foco estratégico em Life Sciences e governança Sarah Chaia; a Head Comercial e de Relacionamento com o Mercado do hospital A.C.Camargo Cancer Center, Mariana Tripolone; e a diretora-adjunta substituta da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Dominic Bigate Lourenço.

“Para novas tecnologias, precisamos de novas estratégias. Não é mais a via judicial a adequada para a incorporação indireta, por força de decisão judicial, dessas novas tecnologias. Algumas novas estratégias estão surgindo, como o compartilhamento de risco, que permite o controle de desempenho e o pagamento condicionado ao resultado positivo do tratamento”, explicou o juiz federal.

A segunda mesa-redonda da manhã teve como tema o Natjus. A desembagadora do TJSC Gladys Afonso foi a coordendora do painel, que teve como participantes o presidente do IEP do Hospital SOS Cárdio, Sérgio Lima de Almeida; o médico rádio-oncologista e presidente da Sociedade Brasileira de Auditoria Médica, Marcos Antonio dos Santos; e o desembargador federal no TRF4 e mestre em direito constitucional João Pedro Gebran Neto.

“Hoje, para as demandas de judicialização, tanto na área pública como na área privada, o Natjus é um órgão muito importante, que fortalece tecnicamente as decisões do Poder Judiciário e traz eficácia, segurança, efetividade, e diminui os custos para as partes. Para as demandas de saúde pública e suplementar, é hoje de máxima importância. Seu fortalecimento é muito importante, não só com a criação de políticas estruturais, mas com a fomentação de quadros técnicos que possam avalizar essas informações com rapidez e eficiência”, avaliou o desembargadora Gladys. O evento ainda segue por toda a sexta-feira (20).

Veja mais imagens do evento.