Na minha época de estudante universitário, na década de 70, tive um amigo preso no movimento estudantil “Novembrada” e militei contra o regime militar. Imaginava estar defendendo a democracia. Não entendia que a luta de nossos pais e avós, ao apoiarem os generais, era, de fato, para nos salvar de uma ditadura muito pior.
Posteriormente, tive oportunidade de viajar pelo mundo e conhecer a realidade de um país comunista. Só então, e com mais conhecimento, compreendi as medidas protetivas e saneadoras dos “anos de chumbo”. No período, o vertiginoso crescimento do “milagre brasileiro” levou o país da quadragésima nona à oitava economia do mundo. Os cumpridores de lei e da ordem não tinham o que temer, ao contrário de bandidos e de terroristas, sequestradores e assaltantes de bancos da esquerda (vide nossa ex-“presidenta”) — todos anistiados. Anistia, aliás, negada aos manifestantes do chamado “8 de janeiro” (2023), sem armas, sem histórico de violência e com participação de crianças e velhinhas com bíblias na mão (terroristas, segundo a mídia cooptada pelo atual regime).
Nunca imaginei (re)viver aqueles tempos de exceção de minha juventude. Os mesmos que diziam defender a democracia, agora no poder, corroem-na por dentro. Doutrinam os jovens e “aprisionam” a população mais humilde com migalhas roubadas dela mesma — como bem mostram nossos irmãos nordestinos, que, mais uma vez, foram decisivos na reeleição presidencial. Reféns da esquerda há muitos anos, eles continuarão sem perspectiva de crescimento, sem saneamento básico, sem educação de qualidade, mantidos no analfabetismo (até 14% na região) e iludidos por promessas que nunca se cumprem.
Há que se respeitar o resultado das urnas. Contudo, o que esperar dos políticos inescrupulosos e corruptos, que governam o país há duas décadas (2003–18 e 2023–26) e condenam quase metade da população ao analfabetismo funcional (incapaz de interpretar uma notícia, realizar operações matemáticas básicas ou preencher um formulário)? Como explicar o atual rombo das contas públicas de um governo que recebeu do antecessor conservador (2019-22) empresas públicas saneadas e um superávit primário de mais de R$ 54 bilhões (apesar da pandemia mundial e dos oito anos anteriores no vermelho)? Como explicar os atuais recordes históricos de pessoas em situação de rua, da carga tributária e do endividamento de famílias e empresas em um país entre os mais ricos e privilegiados pela natureza no mundo?
Certamente houve excessos injustificáveis na época conturbada do regime militar. Mas vale lembrar que eles pacificaram a nação e atenderam à vontade popular, entregando um país livre e democrático. E enquanto nenhum dos generais que governaram o país enriqueceu com dinheiro público (faleceram com patrimônio modesto), a corrupção e a leniência com o crime organizado estão no DNA do atual
governo. Não à toa, os presídios festejaram o resultado das eleições e as favelas dominadas pelo tráfico comemoraram com rajadas de balas de metralhadoras (vídeos na internet).
Há que se reconhecer a competência e esperteza política de Lula. Contudo, com sua reeleição, nossas já fragilizadas instituições correm risco de desmoronamento. O STF, com mais quatro integrantes a serem nomeados pelo lulismo, além de continuar a ignorar nossa Constituição, colocará em risco as prerrogativas do Congresso recém-eleito (vide o regime chavista na Venezuela, enaltecido e apoiado por Lula). O aparelhamento do estado será intensificado. A confiabilidade de órgãos como o IBGE (responsável pelos índices de inflação e crescimento econômico, entre outros), onde técnicos foram substituídos por militantes do partido, tende a diminuir. A segurança pública, com o recado das urnas de que o crime compensa, deixará a população cada vez mais refém da criminalidade.
O Brasil do petismo, que já detém um dos piores índices de educação, segundo o ranking internacional PISA, tende a piorar. A transformação de estudantes universitários em militantes cegos tende a se intensificar. Os escândalos, como o do roubo dos velhinhos aposentados e o do Banco Master, serão enterrados. O desvio de dinheiro público, que poderia melhorar a infraestrutura do país e salvar vidas do nosso sucateado SUS, aumentará. Artistas esquerdistas e hipócritas, como Chico Buarque, de quem eu era fã inconteste, continuarão a usufruir das benesses do capitalismo onde vivem no exterior, bem como da nossa Lei Rouanet (em detrimento daqueles que realmente precisam).
Nossa soberania continuará a passos largos em direção aos braços da China, gerando tensão internacional. A fuga de capitais, a queda do emprego e a migração de empresas para o Paraguai e outros países se intensificarão. O antigo desejo deste governo de “regulação” das mídias sociais — último baluarte dos conservadores — pode virar realidade, conforme manifestado no discurso do recém-eleito presidente. A verdade será relativizada e a versão vencerá os fatos. A tendência é o aumento de jornalistas, políticos e opositores ao atual regime pedindo asilo político no exterior. A degradação da moral e dos bons valores de grande parte de nossa população será cada vez mais visível e levará tempo para ser superada. Não há como ser otimista com o histórico do governo atual.
Torço por um futuro sem extremismos e pelo saudável revezamento de poder (com oposição digna e confiável). Neste momento, porém, a nação livre e democrática pela qual nossos pais e avós lutaram e nos legaram — nos mostrando a importância da família, do mérito, do respeito às pessoas, às diferenças de opinião, à lei, à ordem e aos valores cristãos — está comprometida. Não sei se conseguiremos o mesmo para nossos filhos e netos.
Que Deus tenha piedade de nós!
(Sergio Campos de Almeida – escritor, engenheiro e empresário aposentado)


