Atento internauta, experiente nas lides políticas, públicas e questões internacionais, enviou sua leitura sobre o ridículo discurso do embaixador brasileiro na ONU durante a tal reunião do Conselho de Segurança para debater a questão da captura do narcotraficante, assassino e corrupto Nicolás Maduro pelos EUA.
O colaborador desmonta, ponta a ponta, mais essa farsa da diplomacia sob Lula III.
Confira:
“Na condição de leitor dessa manifestação do Estado Brasileiro – uma saudável e exemplar democracia -, fiz alguns destaques que, acredito, merecem reflexão.
Leia alguns trechos: 1. “Esses atos constituem uma grave afronta à SOBERANIA da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.”(?)
Apelar para a soberania de um estado controlado por uma ditadura que oprime um povo – eleições fraudulentas e êxodo sem precedente na história latino americana-, apoiada desde a sua raiz por forças estrangeiras (Cuba, Irã, China, Rússia)?
- “…venezuelano e a “captura de seu PRESIDENTE …” Ou seria de seu ditador?
- “A Carta das Nações Unidas estabelece, como pilar da ordem internacional, a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a INDEPENDÊNCIA POLÍTICA de qualquer Estado, exceto nas circunstâncias estritamente previstas nela.”
Estaria assegurando uma “independência política” que garante ao ditador fazer o que bem entender com o povo que governa, esquecendo que a independência política tem sua origem na liberdade e cumprimento das leis por aqueles que recebem a delegação para o exercício do poder? Omite, convenientemente, que nos casos de verdadeira independência política, o poder troca de mãos a cada 4/5 ou 6 anos e não permanece 30 ou mais(caso venezuelano), a exemplo de seus mentores cubanos.
- “A aceitação de ações dessa natureza levaria
inexoravelmente a um cenário marcado pela violência, pela desordem e pela erosão do multilateralismo, em detrimento do direito e das instituições internacionais.”
A Venezuela então vivia em paz, sob à égide das leis e o respeito aos direitos humanos? Aqueles coletivos armados que agem ao arrepio das leis e sob o controle do estado não existem?
- “conflitos armados ativos; A cifra sem precedentes de 117 milhões de pessoas enfrentando catástrofes humanitárias em todo o mundo reflete o aumento de guerras, deslocamentos e crimes contra a humanidade, como o genocídio em Gaza…”
Aqui, ignora o deslocamento de milhões de venezuelanos e, de quebra, dá uma espetada em Israel, mostrando a incoerência ao afirmar que não se deve interferir em assuntos internos de outros países.
- “Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios.”
Essa famosa frase está na categoria do “faça o que digo, não o que faço.”
- “Como o Brasil tem reiteradamente afirmado, as normas que regem a convivência entre os Estados são obrigatórias e universais.
Não admitem exceções baseadas em interesses ou projetos ideológicos…”
E o foro de São Paulo, assumido abertamente pela esquerda nacional e escamoteado no documento: “A América Latina e o Caribe fizeram da paz uma escolha consciente, duradoura e irreversível.”
- “O uso da força em nossa região evoca capítulos da história que pensávamos estarem no passado e põe em risco o esforço coletivo para preservar a região como uma zona de paz e cooperação, livre de conflitos armados, respeitosa do direito internacional e do princípio da não intervenção.”
E os discursos do Stédile em Caracas, líder do MST, entidade formalmente apoiada pelo governo brasileiro, oferecendo apoio para a luta contra os americanos? Houve alguma reprimenda brasileira ao líder de invasões de terras que se envolvia na política externa nacional ou o silêncio já seria revelador?
- “Intervenções armadas passadas tiveram consequências profundamente negativas e duradouras. Contrariamente à liberdade e à democracia, essas intervenções produziram regimes autoritários e graves violações dos direitos humanos, deixando um saldo lamentável de milhares de mortos, presos políticos, vítimas de tortura e desaparecidos, cujas famílias ainda buscam seus entes queridos, bem como justiça e reparação.
Pela primeira vez na América.”
Esse é auto explicativo para o governo venezuelano.
- “A América do Sul é uma zona de paz, reitero.”
Zona de paz tem outro sentido.
- “…mas sim em soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano, dentro dos limites de sua Constituição.”
Esse sobrecarrega na hipocrisia.
- “O Brasil confia que o futuro da Venezuela será construído pelo povo venezuelano, por meio do diálogo, sem interferência externa e dentro dos limites do direito internacional.”
Subindo no muro. Bom presságio para o futuro porque no presente, antes do ataque, não havia essa boa vontade com a liberdade venezuelana.
- “Esses atos constituem uma grave afronta à soberania da Venezuela…”
Soberania do regime de Maduro, não da Venezuela.
- “O bombardeio do território venezuelano e a captura de seu presidente.”
Ou seria de seu ditador ?
- “A aceitação de ações dessa natureza levaria
inexoravelmente a um cenário marcado pela violência, pela desordem e pela erosão do multilateralismo, em detrimento do direito e das instituições internacionais.”
Preocupante é a aceitação da fraude eleitoral venezuelana e a imposição “ad infinitum” de um governo. Isto, portanto, não interessa.
- “Além disso, o Brasil não acredita que a solução para a situação na Venezuela resida na criação de protetorados no país, mas sim em soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano, dentro dos limites de sua Constituição.”
De repente, a auto determinação do povo venezuelano se tornou importante. Até ontem, a opressão e o êxodo da população venezuelana não estavam na pauta nacional.”
Leia o discurso completo do Brasil, pronunciado pelo embaixador na ONU, Sérgio Danese:
“O Brasil rejeita categórica e firmemente a intervenção armada em território venezuelano, uma flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional.
O bombardeio do território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam um limite inaceitável. Esses atos constituem uma grave afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
A Carta das Nações Unidas estabelece, como pilar da ordem internacional, a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, exceto nas circunstâncias estritamente previstas nela.
A aceitação de ações dessa natureza levaria inexoravelmente a um cenário marcado pela violência, pela desordem e pela erosão do multilateralismo, em detrimento do direito e das instituições internacionais.
Os efeitos do enfraquecimento dos mecanismos de governança e cooperação internacionais já são evidentes: o número recorde, desde a Segunda Guerra Mundial, de 61 conflitos armados ativos; A cifra sem precedentes de 117 milhões de pessoas enfrentando catástrofes humanitárias em todo o mundo reflete o aumento de guerras, deslocamentos e crimes contra a humanidade, como o genocídio em Gaza; e o aumento global dos gastos militares, que se aproximam da marca histórica de US$ 2,7 trilhões.
Como o Brasil tem reiteradamente afirmado, as normas que regem a convivência entre os Estados são obrigatórias e universais. Não admitem exceções baseadas em interesses ou projetos ideológicos, geopolíticos, políticos, econômicos ou de qualquer outra natureza. Não permitem a exploração de recursos naturais ou econômicos para justificar o uso da força ou a derrubada ilegal de um governo.
O mundo multipolar do século XXI, que promove a paz e a prosperidade, não deve ser confundido com esferas de influência.
Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios. Esse raciocínio carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, o que é certo ou errado, e até mesmo de ignorar as soberanias nacionais, impondo decisões que os mais fracos devem tomar.
A América Latina e o Caribe fizeram da paz uma escolha consciente, duradoura e irreversível.
O uso da força em nossa região evoca capítulos da história que pensávamos estarem no passado e põe em risco o esforço coletivo para preservar a região como uma zona de paz e cooperação, livre de conflitos armados, respeitosa do direito internacional e do princípio da não intervenção.
Intervenções armadas passadas tiveram consequências profundamente negativas e duradouras. Contrariamente à liberdade e à democracia, essas intervenções produziram regimes autoritários e graves violações dos direitos humanos, deixando um saldo lamentável de milhares de mortos, presos políticos, vítimas de tortura e desaparecidos, cujas famílias ainda buscam seus entes queridos, bem como justiça e reparação.
Pela primeira vez na América do Sul, ocorreu um evento profundamente alarmante: uma agressão armada externa com o envio de tropas e bombardeios em um país vizinho ao Brasil, com o qual compartilhamos mais de 2.000 quilômetros de fronteira.
Senhor Presidente,
A América do Sul é uma zona de paz, reitero.
Temos defendido e continuaremos a defender a paz e a não intervenção em nossa região com determinação inabalável.
Além disso, o Brasil não acredita que a solução para a situação na Venezuela resida na criação de protetorados no país, mas sim em soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano, dentro dos limites de sua Constituição.
Os eventos de 3 de janeiro transcendem a esfera regional. Um ataque contra a soberania de qualquer país, independentemente da orientação de seu governo, afeta toda a comunidade internacional.
Este e outros casos de intervenção armada contra a soberania, a integridade territorial ou as instituições de um país devem ser veementemente condenados. Cabe a este Conselho assumir sua responsabilidade e reagir com determinação, clareza e obediência ao direito internacional, a fim de impedir que a lei da força prevaleça sobre o Estado de Direito.
O Brasil confia que o futuro da Venezuela será construído pelo povo venezuelano, por meio do diálogo, sem interferência externa e dentro dos limites do direito internacional.”
foto>divulgação






