A cada eleição, candidatos a deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente, apresentam discursos fortes, veementes, sobre temas especialmente ligados à educação, segurança pública e saúde.
Com relação às drogas, prometem combater o tráfico, endurecer leis, trabalhar a prevenção, ressocialização, fortalecer os conselhos estaduais e municipais, criar equipes de saúde mental, etc.
Entretanto, a pergunta que a sociedade precisa fazer é simples e objetiva: qual é a proposta efetiva do seu candidato para enfrentar o problema das drogas ?
Ele já fez algo durante a sua trajetória profissional, política, alguma ação efetiva em relação ao assunto ?
O tema deixou de ser apenas um problema policial há muito tempo.
As drogas representam hoje uma das maiores crises de saúde pública, segurança e desagregação social do mundo.
O avanço da dependência química destrói famílias, aumenta a população em situação de rua, fortalece organizações criminosas e sobrecarrega hospitais, presídios e serviços públicos.
Mesmo diante desse cenário alarmante, poucos candidatos apresentam planos concretos, metas mensuráveis e políticas permanentes.
A maioria se limita em citar frases de efeito e promessas genéricas de “combate às drogas”.
Mas a realidade exige muito mais do que discursos de campanha.
É preciso questionar: o candidato defende investimentos pesados em prevenção nas escolas ?
Pretende ampliar campanhas educativas permanentes ?
Possui propostas para fortalecer comunidades terapêuticas, centros de recuperação e atendimento psicológico ?
Defende integração entre saúde, assistência social, educação e segurança pública ?
Outra questão fundamental é o enfrentamento ao narcotráfico.
Como o candidato pretende combater o poder econômico e político das facções criminosas ?
Há propostas para fortalecer inteligência policial, controle de fronteiras e combate à lavagem de dinheiro ?
Ou apenas mais promessas já “batidas” de outras eleições ?
Os eleitores também precisam observar se o candidato conhece a realidade local. Muitos municípios convivem diariamente com o crescimento da dependência química entre jovens e adolescentes, sem estrutura adequada para prevenção e tratamento.
Faltam profissionais especializados (psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, etc), leitos, políticas públicas contínuas e apoio às famílias.
Governadores e presidentes possuem responsabilidade direta na coordenação das políticas públicas.
Senadores e deputados, por sua vez, podem criar leis mais eficientes, destinar recursos orçamentários e fiscalizar a aplicação do dinheiro público.
Portanto, não basta dizer que é “contra as drogas”.
É necessário apresentar ações concretas, planejamento sério e compromisso permanente.
A sociedade precisa deixar de votar apenas em slogans e começar a cobrar projetos reais executáveis.
Quem pretende governar o país, trabalhar com o dinheiro público, deve compreender que o problema das drogas, não se resolve apenas com repressão aos usuários.
Sem prevenção, tratamento, educação e recuperação social, continuaremos apenas “enxugando gelo”.
O problema das drogas não será resolvido com medidas isoladas ou improvisadas.
Exige coragem política, investimento contínuo e união articulada entre o governo federal, estaduais e municipais, escolas, famílias, igrejas, universidades, clubes de serviço e sociedade civil organizada.
A situação já é alarmante, no entanto ainda não “explodiu”, pelo trabalho de comunidades terapêuticas sérias, entidades religiosas preocupadas com o social, clubes de serviço (Rotary, Lions, etc) e demais instituições educacionais e filosóficas, que vem investindo tempo e dinheiro na prevenção, tratamento…
Nas próximas eleições, antes de escolher seu candidato, faça uma pergunta essencial: qual é a proposta efetiva dele para proteger nossas famílias e enfrentar, de verdade, a questão das drogas.
Fernando Henrique da Silveira
– Presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes de Santa Catarina – CONEN;
– Doutor em Ciências Ciências Jurídicas e Sociais;
– Membro Consultivo da Comissão de Políticas sobre Drogas da OAB/SC;
– Advogado, Jornalista e Servidor Público Estadual.







