Blog do Prisco
Manchete

Quadro pulverizado

Estamos cada vez mais próximos do grande dia 6 de outubro, domingo, data de eleições no Brasil e, claro, em Santa Catarina. Muito se fala agora do voto útil. Normalmente, essa expressão é utilizada com mais frequência nos estertores da campanha, nas proximidades do grande dia. No território catarinense, assim como já acontece em vários municípios pelo Brasil, especialmente nas grandes cidades, já observamos este fenômeno. Particularmente em dois deles.

Como a convenção de segunda-feira do PT, PCDoB, PV e do Solidariedade foi um evento conjunto, a política catarinense já contabiliza seis candidatos ao governo e cinco ao Senado (com um sexto nome já sinalizado e encaminhado, só falta homologar).
Os cabeças de chapa são: Esperidião Amin (PP), Décio Lima (PT), Carlos Moisés (Republicanos), Odair Tramontin (Novo), Gean Loureiro (UB) e Alex Alano (PSTU).
À Câmara Alta já estão definidas as candidaturas de Celso Maldaner (MDB), Raimundo Colombo (PSD), Kennedy Nunes (PTB), Gilmar Salgado (PSTU) e Luiz Barbosa Neto (Novo). O sexto nome, ainda não homologado porque a convenção será no dia 5 de agosto, será Dário Berger, do PSB.
O senador participou da convenção conjunta e foi anunciado como o nome da frente canhota como candidato à reeleição.
Já houve convenções de 15 partidos. Faltam outras 8 definições partidárias até o dia 5 de agosto.
O quadro depois dessas primeiras rodadas é o de pulverização muito grande de candidaturas de centro e de direita.

Haja voto

Esticaram a corda. Gean e Esperidão, por exemplo, além de pescarem votos em segmentos semelhantes, têm a mesma base eleitoral. Obviamente que Amin é muito mais conhecido. Foi duas vezes governador, disputou outras duas, cumpre o segundo mandato de senador, foi candidato a presidente, enfim.

Localizado

Gean Loureiro tem nome consolidado na Grande Florianópolis. Fora da região da Capital ainda é quase que um ilustre desconhecido. Por isso que Gean deflagrou seus roteiros pelo Estado ainda durante a pré-campanha.

Novidade

Odair Tramontin, do Novo, também é candidato do espectro conservador bem como Moisés da Silva, muito embora o governador tenha se cercado de alguns esquerdistas natos e convictos do MDB e alguns que migraram ao Podemos.

Déjà vu

Na esquerda, novamente não se viu a propalada unidade absoluta. O PT tem apoio de outras cinco legendas.
Alex Alano, do PSTU, vai cumprir tabela, não terá qualquer peso na votação do petista, mas não está com a companheirada de Lula.

Trabalhistas

O que pode incomodar um pouco mais será o PDT se realmente o partido lançar Jorge Boeira ao governo. Ainda assim será um projeto frágil do ponto de vista do potencial eleitoral.

Paridade

Em 2018, em chapa pura, Décio Lima fez 14% dos votos, percentual muito próximo do conquistado por Fernando Haddad, o poste de Lula da Silva que obteve surpreendentes 16% dos sufrágios catarinenses.

Otimismo

Caso o descondenado petista conquiste 26%, 27% dos votos em SC, Décio poderá projetar uma votação parecida, colocando-o como uma possibilidade concreta de beliscar uma das duas vagas no round final do pleito estadual.

Jorginho e Jorge

Na direita ainda falta a homologação do senador Jorginho Mello, do PL. Mesmo isolado partidariamente, ele não tem como recuar do seu projeto. Carrega o 22 de Bolsonaro com ele e tem como parceiro de chapa um dos pupilos e homens de confiança do presidente, o jovem empresário Jorge Seif Júnior. Ele concorrerá ao Senado.

Tripé

Muito embora Esperidião Amin esteja com seu PP relativamente dividido, com prefeitos respaldando Moisés da Silva, ele já fechou com o PTB e pode encaixar o PSDB de vice em sua chapa. Compensaria bem as dissidências no Progressistas.

Quinteto

Trocando em miúdos: poderemos ter cinco candidaturas de centro direita, contra três de esquerda, mas aí na canhotada duas chapas serão muito frágeis.