Claudio Dantas, com sua perspicácia aguçada e ironia característica, tocou em um ponto que a campanha do PSD insiste em ignorar: não é possível ser crítico de Lula enquanto sua cúpula anda de braços dados com ele.
No cenário nacional, essa contradição se expõe de forma cristalina. Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, está nesse joguinho subterrâneo com o governo. Já o candidato Ronaldo Caiado se apresenta como sendo direita raiz. E no final de semana, nas redes sociais, para se posicionar diferentemente de Kassab, afirmando que é contra Lula e o PT e se não chegar ao segundo turno, assim se comportará. Vale ainda lembrar que antes de Caiado se filiar ao PSD, o partido ocupou três ministérios no governo Lula.
E em Santa Catarina, a divisão enfraquece ainda mais.
A rachadura do PSD entre Caiado e Kassab complica a vida de João. Ele se apresenta como o candidato mais à direita entre todos os postulantes, mas isso não é bem assim. E essa falta de unidade—essa divisão entre as alas do PSD—se torna uma ladeira abaixo para qualquer candidato que pretenda se vender como verdadeiramente diferente. O eleitor vê a desunião e questiona: em qual direita devo confiar?
A contradição é evidente: um candidato que diz ser de direita, mas parte de sua cúpula nacional está com a esquerda. Kassab segue um caminho, Caiado outro. Mas enquanto estão rachados em Brasília, aqui em Santa Catarina a conta fica com João.







