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Aberta exposição xilográfica “Catarina” em Santo Antônio de Lisboa

Já está aberta ao público a  exposição de obras xilográficas “Catarina”, do artista Ramon Rodrigues (foto de capa). A abertura ocorreu no sábado, em Santo Antônio de Lisboa, com a presença de ilustres e influentes personagens do meio cultural catarinense, como Edson Machado, ex-diretor do segmento no governo do estado por vários anos.

Os trabalhos são impactantes e vêm gerando comentários positivos e instigando os visitantes a refletirem sobre a efemeridade da vida e sua grandeza.

Abaixo, o blog reproduz a crítica dos trabalhos de Ramon assinada por João Otávio Neves Filho, o Janga, renomado crítico de arte no estado.

Eloísa, mãe de Ramon Rodrigues – fotos>divulgação

“Ramon Rodrigues, um dos maiores xilógrafos que já surgiram em Santa Catarina, apresenta-nos em sua mostra Catarina’ uma seleção de trabalhos em que o tema absoluto é a figura feminina, realizados no transcurso de 2O18 a 2019. Segundo as palavras do artista, a preponderância do universo feminino decorre, em parte, do Seu envolvimento com o nascimento de sua filha Catarina, que ocorreu no mesmo período.

O artista que desenha desde criança teve formação Inicial no ateliê de gravura do CIC, dirigido por Bebeto, por onde já passaram importantes nomes das artes gráficas catarinenses. Os gravadores em geral dedicam-se, em silêncio, ao trabalho das oficinas.

Trabalho quase monástico que exige doses enormes do paciência, disciplina e talento. Ao contrário da pintura, que pode recorrer a macetes técnicos para mascarar hesitações ou vazios, a gravura não permite trapacear. Principalmente a xilo, pois um talho na madeira é definitivo. Baseada nas incisões da goiva contra a superfície, vai buscar luzes no branco resultante dos sulcos criados pelo desbaste da madeira, que posteriormente, entintada, dará à reprodução da imagem gravada.

Influenciado pela atmosfera das contos e poemas de Edgar Allan Poe, que leu ainda na infância, Ramon desenvolveu uma linguagem própria, cujas características revelam um temperamento artístico singular, decidido e seguro, que não tem tempo a perder com frivolidades ou modismos, sem meias-palavras, sua obra vai direto ao assunto que sempre permeou as grandes criações artísticas de todos os tempos: a pulsão perene entre vida e morte.

Ao contrário do que comentaram alguns, a presença dos esqueletos e caveiras que marcam suas gravuras são elementos gráficos que nada têm de sinistro, referem-se a tradições ancestrais de culto aos mortos, perceptíveis, por exemplo, nos trabalhos de Posadas, o grande gravador mexicano, nos quais a representação da morte aparece não aparece como algo mórbido, mas como um convite a viver a vida plenamente, assumindo a sua efemeridade, grandeza e mistério.

Assim é à vida: efêmera, passageira, fugaz, mas isso não é motivo para desespero. Ao contrário, saber vivê-la com plenitude, com generosidade e, sobretudo, com consciência da sua efemeridade e grandeza é o que nos propõem essas gravuras.

Por meio de uma linguagem construída com seriedade e vigor, insere o observador numa poética na qual triunfam o humor. a imaginação e o questionamento. De maneira sutil, nos propõe que além das aparências percebamos o verdadeiro sentido da existência e que no aqui e  agora celebremos a misteriosa magia de estarmos vivos.’

 

 

J

João Otávio Neves Filho – Janga”

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