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Ação inédita envergonha Santa Catarina

O cumprimento de mandados de busca e apreensão, ontem, na Casa d’Agronômica (Palácio Residencial) e no Centro Administrativo (sede do governo de SC), já era aguardada nos bastidores políticos de Santa Catarina.
Foi uma decisão da Justiça, a mesma em que o governador diz confiar. O ministro Benedito Gonçalves já havia sinalizado nesta direção lá atrás. O desenrolar da operação só levou um pouco mais de tempo do que se imaginava.
É constrangedor um governador virar alvo de uma busca e apreensão na própria residência oficial. Nunca havia ocorrido na história de Santa Catarina e não se restringiu ao palácio, mas também a setores administrativos do poder público estadual.
Moisés da Silva está sob investigação. Por ora, não há indiciamento nem denúncia contra o governador.

Tinta forte
Mas a manifestação da sub-procuradora Geral da República, Lindôra Araújo, é pesada. Ela fala claramente em indícios de participação de Moisés da Silva em duas frentes: teria atuado com empresários que acabaram tendo acesso ao fraudulento processo de compra dos respiradores e também sobre sua autorização para o pagamento da nefasta empreitada, que pagou R$ 33 milhões antecipadamente por 200 respiradores, com valor superfaturado e sem qualquer garantia. A procuradora aponta a necessidade de se investigar as digitais do govenador nestas duas questões.

Luz do dia
Isso tudo precisa ser esclarecido, detalhe por detalhe, com a devida responsabilização de todos os envolvidos; do mais simples funcionário até a figura do governador. Isso é uma exigência da sociedade catarinense em nome da ética e da moral.

O gato comeu
O que se aguarda agora é que se possa avançar e afunilar as investigações e também com o resgate dos recursos. Há R$ 20 milhões que sumiram, não se tem notícia do seu real paradeiro.

Coisas diferentes
Embora o processo de impeachment que está em fase mais adiantada nada tenha a ver com este escândalo dos Respiradores e sim com o aumento salarial dos procuradores, é óbvio que essa investida da PF e do MPF fragiliza ainda mais o governador, que já está numa situação agonizante.

Perspectivas esgotadas
Sobretudo considerando-se que Moisés da Silva teve apenas seis dos 40 votos dos deputados estaduais e que sofreu grande derrota jurídica após o despacho da ministra Rosa Weber, que manteve o rito do impeachment e não suspendeu o processo como requeria a Procuradoria Geral do Estado. Essa decisão sepultou qualquer perspectiva jurídica para o governador e a vice salvarem os pescoços da guilhotina.

Tibieza total
A absoluta fragilidade deles nos fronts político e jurídico, combinado com o atraso nas mobilizações para angariar apoio popular e esta imagem fortíssima dos investigadores federais na Casa d’Agronômica e no Centro Administrativo, deixam o quadro praticamente insustentável à dupla eleita em 2018.
Se ainda sonhavam com algum suporte da população, após as cenas de ontem, podem ir tirando o cavalinho da chuva.

Análise técnica
No Tribunal Especial do impeachment, o governo sai perdendo de cinco a zero. O quinteto de deputados que integram o colegiado votará novamente contra Moisés da Silva e Daniela.
Os magistrados, em número de seis, devem fazer uma análise muito mais técnica do que política. Com a devida vênia, no entanto, depois das notícias de segunda (despacho de Rosa Weber) e de ontem (Operação da PF e do MPF), até mesmo os magistrados podem se sentir influenciados. Resta saber se a vice poderia eventualmente ser poupada do afastamento.

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