Blog do Prisco
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ACLUX amplia conexões entre Brasil e Luxemburgo

 

Encontro reúne famílias, autoridades e reforça o crescimento da comunidade luxemburguesa no país

Um pequeno pássaro de cerâmica, delicadamente moldado para funcionar como um apito, guarda uma das tradições mais curiosas do Luxemburgo. Conhecido como Péckvillchen, ele é vendido todos os anos na segunda-feira de Páscoa. Ao ser soprado, mais do que reproduzir o canto de um pássaro, faz uma tradição continuar sendo ouvida.

Assim como o Péckvillchen, a Associação de Cidadãos Luxemburgueses no Brasil tem feito sua voz ecoar. Com um trabalho pautado na divulgação de informações oficiais do Grão-Ducado, a ACLUX chama a atenção dos neoluxemburgueses brasileiros, fortalecendo os vínculos entre cidadãos e instituições. Um movimento que cresce de forma consistente, ampliando sua relevância e levando cada vez mais longe a cultura e as oportunidades ligadas ao Luxemburgo.

Esse movimento pôde ser visto no último sábado, 18, quando o auditório da AEMFLO, em São José, recebeu cerca de 150 participantes para o 3º Encontro das Famílias Luxemburguesas. A programação também foi transmitida ao vivo e acompanhada por interessados de diferentes partes do Brasil e do mundo.

Apesar disso, Claude Michel de Pryck, que mora em Fortaleza, preferiu participar presencialmente. Nascido em Luxemburgo, ele mudou-se para o Brasil em 2015, e encontrou na ACLUX uma forma de permanecer conectado ao país de origem. Quem também percorreu muitos quilômetros, foram Walfrido Kulh Svoboda e Marcelo Alberto Spies, que vieram de Foz do Iguaçu. “Queremos entender melhor nossos direitos e deveres e fortalecer nossa integração com outros conterrâneos”, conta Marcelo.

“Somos mais de 33 mil luxemburgueses reconhecidos no Brasil, mas sabemos que esse número é ainda maior. Construímos este encontro ouvindo nossos associados e trazendo os temas que mais despertam interesse, como cidadania, educação, negócios e, acima de tudo, a valorização da nossa história”, destaca a presidente da ACLUX, Luciana Decker.

Uma comunidade cada vez mais organizada

O crescimento da associação acompanha e, até certo ponto, influencia outro movimento: a aproximação entre Brasil e Luxemburgo.

Pela primeira vez, representantes da Embaixada de Luxemburgo em Brasília participaram oficialmente do encontro. Estiveram presentes a encarregada de negócios, Jill Engel, e o chefe de missão adjunto, Steve Hoscheit que compartilharam aspectos históricos e culturais, além de anunciar uma nova representação no Brasil. Embora ainda não exista uma data definida, a cidade de São Paulo receberá o consulado para ampliar a capacidade de atendimento aos cidadãos luxemburgueses residentes no Brasil.

A aproximação também se reflete na agenda entre os governos. Jill destacou que em junho deste ano, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, realizou a primeira visita oficial de um chanceler brasileiro ao Luxemburgo, um marco nas relações diplomáticas entre os dois países.

Se durante décadas Brasil e Luxemburgo pareciam separados pela distância geográfica e por uma relação institucional discreta, hoje o cenário é outro. E a ACLUX tem contribuído para essa nova realidade ao criar pontes entre cidadãos, famílias e instituições.

A presença de representantes do Governo de Santa Catarina também evidenciou essa aproximação. Participaram do encontro o secretário-adjunto de Articulação Internacional, Emerson Pereira, o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Fábio Pinto, além do presidente da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), Diego Brites.

Para Emerson Pereira, Luxemburgo ocupa uma posição estratégica como porta de entrada para a União Europeia. Segundo ele, a internacionalização das empresas catarinenses é uma das prioridades do Governo do Estado, e iniciativas como a ACLUX contribuem para estreitar relações e criar oportunidades de negócios entre Santa Catarina e o Grão-Ducado.

Auditório cheio no 3° Encontro de Famílias Luxemburguesas promovido pela ACLUX em São José / Crédito: Fatima Fotografias

Muito além da cidadania

Reconhecer a cidadania é apenas o primeiro passo. Para milhares de brasileiros, surgem dúvidas sobre direitos civis, educação, oportunidades profissionais e a vida em um país com características muito diferentes das brasileiras.

Por isso, a programação do encontro reuniu especialistas em diferentes áreas. A advogada Veridiana Assis abordou temas como casamento, sucessão, reconhecimento de documentos e agrupamento familiar. Já as palestras sobre educação apresentaram as particularidades do sistema de ensino luxemburguês, desde a infância até a pós-graduação, além dos desafios de viver em um país com três idiomas oficiais: luxemburguês, francês e alemão.

Fora da Europa, Brasil e Estados Unidos concentram as maiores comunidades de cidadãos luxemburgueses. Essa realidade também esteve presente na programação do encontro. O norte-americano Daniel Atz veio de Nova York especialmente para o evento e mediou um painel com Travis Gross, diretor executivo da Luxembourg American Cultural Society, reforçando a importância da cooperação entre as comunidades luxemburguesas dos dois países e da troca de experiências sobre preservação da cultura e fortalecimento dos vínculos com o Grão-Ducado.

Segundo a cônsul honorária de Luxemburgo em Santa Catarina, Karen Schwinden, esse interesse cresce ano após ano. Atualmente, dos cerca de 33 mil brasileiros que já tiveram a cidadania luxemburguesa reconhecida, Santa Catarina é o estado que concentra a maior parte dessa comunidade. “De 2021 para cá, já entregueii mais de 5600 passaportes”, relata.

Quem está perto de pegar seu documento oficial é a pequena Helena Hoffmann. Com apenas três anos e ainda sem entender bem o que a nova cidadania pode significar para o seu futuro, ela era a participante mais jovem do encontro. Enquanto cochilava entre uma palestra e outra, a mãe Eloiza Hoffmann ouvia com atenção.

 

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