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Propaganda política no trabalho pode levar empresas à Justiça, alertam especialistas

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Lideranças da Fecomércio participaram de webinar promovido pelo Cavalcanti Advogados Associados e defenderam diálogo e orientação preventiva

A aproximação do calendário eleitoral demanda que pessoas físicas e jurídicas estejam atentas às principais mudanças relacionadas ao período, que tem regras e responsabilizações próprias. As empresas, em especial, enfrentam um desafio que ganhou força nas últimas eleições: garantir que o ambiente de trabalho permaneça livre de práticas que possam caracterizar assédio eleitoral ou propaganda eleitoral irregular.

O tema foi destacado durante o webinar promovido pelo Cavalcanti Advogados Associados. O encontro virtual contou com as participações do advogado e mestre em Ciência Jurídica Juliano Cavalcanti; da advogada, mestre em Ciência Jurídica e especialista em Direito Civil, Tatiane Cavalcanti; do presidente da Fecomércio-SC, Hélio Dagnoni; e do assessor jurídico sindical Rafael Arruda. Durante a transmissão ao vivo, os especialistas orientaram gestores sobre como conduzir suas organizações com segurança jurídica durante o período eleitoral.

“A grande maioria dos empregadores, por estar dentro de uma organização privada, acredita que não há limites para a sua atuação, mas é aí que está o problema. Muitas vezes, mesmo sem agir de má fé, ou sem o intuito de desrespeitar a legislação, acabam cometendo ilícitos de ordem eleitoral ou trabalhista”, explicou o advogado Juliano Cavalcanti. De acordo com o especialista, a Lei das Eleições (9.504/1997) proíbe toda e qualquer propaganda eleitoral no ambiente corporativo, independentemente do tamanho da empresa.

​“A legislação não faz distinção quanto ao tamanho ou tipo de negócio, seja um pequeno comércio ou uma grande indústria: todos estão sujeitos à mesma normativa, à mesma vedação da legislação eleitoral, que é a de não permitir a publicidade ou a propaganda eleitoral no ambiente de trabalho”, complementou Cavalcanti.

​Comunicação clara é responsabilidade de lideranças

​Após as eleições de 2022, aumentou o número de procedimentos instaurados pelo Ministério Público do Trabalho relacionados à coação e ao assédio eleitoral, o que causou insegurança aos empreendedores. Para o presidente da Fecomércio-SC, os empresários precisam se apropriar do que diz a legislação e manter uma comunicação clara com os colaboradores durante o período de eleições. “Precisamos ter muito alinhado esse casamento entre os eleitores e as pessoas que vamos eleger. Os funcionários precisam ter a liberdade de escolher em quem votar”, pontuou Hélio Dagnoni.

​Durante o webinar, Dagnoni pontuou que empresários de diferentes setores recorrem à Fecomércio-SC para esclarecer dúvidas e receber orientações em períodos como este. “É importante estabelecer regras simples, claras e objetivas. Falar sobre política em grupos de mensagens ou e-mails vinculados ao trabalho, por exemplo, pode gerar problemas graves para o empresário e também para o funcionário. Então, é importante estar bem orientado para evitar problemas futuros”, acrescentou o presidente da Fecomércio-SC.

​A advogada Tatiane Cavalcanti reforçou a importância de um regulamento interno sobre o uso dos celulares dentro do ambiente corporativo. “É muito importante que a empresa tenha, independentemente do tamanho ou segmento, uma política interna do uso do celular pessoal, esclarecendo o que pode ou não ser feito com o aparelho durante o horário de trabalho. Isso também se aplica a quem usa o celular funcional. Quanto mais claro for o regulamento, maior é a proteção para a empresa e também para o colaborador”, disse a especialista durante o webinar.

​Sindicatos devem evitar defesa de candidaturas

​O assessor jurídico sindical da Fecomércio-SC, Rafael Arruda, falou da participação das entidades sindicais no pleito eleitoral. Segundo o advogado, essas instituições são políticas e devem fazer parte do processo, mas precisam manter um posicionamento apartidário, relacionando-se com todos os aspectos da política. “O sindicato é um representante da categoria, mas não pode orientar os empresários para que eles tomem alguma conduta que, futuramente, possa gerar algum problema”, frisou.

​“Não existe uma fórmula pronta. De um lado, temos a liberdade de expressão e a necessidade de se discutir as candidaturas, e do outro lado temos o momento em que isso deixa de ser uma conversa e passa a ser uma propaganda, ou até um assédio eleitoral. Quando a conversa busca influenciar o voto do colaborador, seguida de ameaça ou algum tipo de imposição, pode haver um crime eleitoral – e quem vai decidir isso é a Justiça”, destacou o Juliano Cavalcanti, pontuando que cautela é a chave para atravessar este momento sem colocar a empresa em risco.

O evento também reforçou que negócios são compostos por pessoas com diferentes convicções políticas e pessoais, e que um dos principais desafios das lideranças é criar ambientes em que essas diferenças possam coexistir de maneira respeitosa. A harmonia nos espaços de trabalho deve preservar tanto a liberdade individual, quanto o desenvolvimento das atividades profissionais. Para os especialistas, companhias que investem em prevenção, treinamento e comunicação transparente tendem a reduzir significativamente os riscos jurídicos e fortalecer sua cultura organizacional durante os períodos eleitorais.

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