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Alckmin: farsante, enganador, oportunista e vira-casaca dos bons!

Se a política brasileira entregasse um troféu de hipocrisia, Geraldo Alckmin seria um candidato difícil de superar. Poucas trajetórias expõem de maneira tão constrangedora a distância entre o discurso de princípios e a conveniência do poder.

Em dezembro de 2017, Alckmin afirmou que Lula queria “voltar à cena do crime”. Anos depois, aceitou ser seu vice. O homem que apresentava o petismo como uma ameaça ao país passou a integrar o mesmo projeto que condenava.

O eleitor tem todo o direito de cobrar: Alckmin acreditava nas acusações que fazia ou apenas interpretava um personagem para conquistar votos? Se acreditava, como explica tamanha adesão? Se não acreditava, o que valia sua palavra?

Para quem confiou em sua imagem de conservador, adversário da esquerda e defensor de valores, a guinada tem gosto de traição. O antigo discurso perdeu a serventia assim que apareceu uma cadeira na chapa de Lula. Ficou a impressão de que os princípios tinham prazo de validade — e que esse prazo terminava diante de uma oportunidade de poder.

Chamar essa trajetória de oportunismo é um julgamento político plenamente justificável. Alckmin ajudou a alimentar a rejeição ao PT e depois pediu ao eleitor que aceitasse sua associação com o partido. Uma contradição desse tamanho não desaparece atrás de sorrisos, abraços e discursos de conciliação.

O constrangimento está nas próprias palavras de Alckmin. Foi ele quem escolheu a expressão “cena do crime”. Foi ele quem decidiu caminhar ao lado do homem que acusava.

Alckmin pode ter feito as pazes com Lula. Com a própria coerência, a conta continua aberta.