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As suplências ao Senado e a manutenção do poder

A engenharia política das suplências no Senado, em Santa Catarina, é marcante na história recente. E compõe uma estratégia recorrente de construção e manutenção de poder, especialmente a partir do ciclo inaugurado por Luiz Henrique da Silveira.

Desde sua primeira eleição ao governo, Luiz Henrique demonstrou clara compreensão da lógica de coalizão ampliada. Mais do que vencer eleições, tratava-se de organizar um arranjo político duradouro, capaz de integrar diferentes correntes partidárias — em especial o MDB — dentro de uma mesma engrenagem de poder. A escolha de suplentes ao Senado foi um dos instrumentos centrais dessa estratégia.

Quando Leonel Pavan foi alçado ao Senado na composição de LHS com Eduardo Pinho Moreira de vice, o primeiro suplente escolhido foi Neuto De Conto, figura historicamente vinculada ao MDB, o famoso emedebista de cruz na testa. Posteriormente, com a reeleição de Luiz Henrique em 2006 e a presença de Pavan como vice, Neuto acabou assumindo o mandato no Senado por quatro anos — materializando, na prática, o espaço concedido ao aliado.

A lógica se repetiu na sequência. Na eleição de Raimundo Colombo ao Senado, o primeiro suplente foi Casildo Maldaner, outro nome emedebista de densidade política. Quando Colombo migrou para o governo do Estado em 2010, Maldaner assumiu o Senado, novamente garantindo protagonismo ao MDB dentro de uma aliança formalmente mais ampla.

Esse ciclo evidencia um padrão: o uso das suplências como mecanismo de integração política, não apenas para ampliar o alcance eleitoral, mas para efetivamente compartilhar poder. E se manter nele. Não se tratava apenas de “puxar votos”, mas de criar condições para que aliados estratégicos ocupassem posições institucionais relevantes ao longo do tempo.

Em 2010, Luiz Henrique ainda conduziu a eleição de Paulo Bauer, em um movimento em que a força da liderança política dispensou a necessidade de engenharia mais sofisticada nas suplências. Os dois elegeram-se senador. Já em 2018, o modelo ressurge com adaptações: Jorginho Mello, eleito senador na chapa encabeçada por Mauro Mariani ao governo, escolheu como primeira suplente Ivete Appel da Silveira — viúva de Luiz Henrique — que posteriormente assumiria o mandato no Senado com a eleição de Jorginho ao governo estadual.

O padrão, portanto, se consolida ao longo de diferentes ciclos: suplências utilizadas como instrumento de composição política, frequentemente incorporando quadros do MDB e garantindo a continuidade de influência desse grupo, mesmo quando fora da cabeça de chapa.

É justamente esse histórico que agora parece inspirar Esperidião Amin em sua estratégia para a tentativa de reeleição ao Senado. Ao sinalizar a possibilidade de escolher como suplentes nomes como Rogério Peninha Mendonça, do Alto Vale, e Edinho Bez, do Sul do Estado — ambos com trajetória vinculada ao MDB e vários mandatos de deputado — Amin aponta para uma tentativa clara de reproduzir essa lógica de agregação regional e partidária.

A eventual composição carrega dois objetivos evidentes. De um lado, ampliar o alcance eleitoral, incorporando lideranças com base consolidada em regiões estratégicas. De outro, buscar atrair diretamente o eleitorado e as estruturas do MDB, partido que historicamente demonstrou capacidade de transferência de votos e capilaridade no interior catarinense.

A diferença central, no entanto, está no contexto. Enquanto Luiz Henrique operava a partir de uma liderança hegemônica, capaz de arbitrar o sistema político estadual, Amin atua em um ambiente mais fragmentado, competitivo e com múltiplos polos de poder. Ainda assim, ao recorrer a essa fórmula, sinaliza reconhecer a eficácia de um modelo que, no passado recente, garantiu não apenas vitórias eleitorais, mas longevidade política a um grupo que, sob diferentes siglas, permaneceu no comando de Santa Catarina por mais de uma década e meia.

Trata-se, portanto, menos de uma inovação e mais de uma reedição — adaptada às circunstâncias atuais — de uma engenharia política que já demonstrou resultados concretos no tabuleiro catarinense.

Na foto, Carlos Chiodini, João Rodrigues e Amin

 

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