Blog do Prisco
Coluna do dia

Borba fora do governo

 

A Casa Civil distribuiu nota oficial, ontem à tarde, confirmando a saída do ex-todo poderoso Douglas Borba do governo Moisés da Silva. Sem reunir mais a menor condição de permanecer à frente da Casa Civil, o vereador-licenciado de Biguaçu acaba anunciando que pediu exoneração do importante cargo, mas o fato é que o escândalo dos respiradores, somado a outras situações que desaguam no nome dele, inviabilizou sua permanência como homem forte do Executivo estadual.
Após um ano e quatro meses no governo, Borba havia espalhado sua influência em vários setores do Centro Administrativo. Muitos deles, estratégicos, ganhando uma musculatura impressionante. O que também depôs contra ele no fim das contas, pois a forma como esse poder vinha sendo usado afastou Douglas Borba de sua função primordial, de articulador político.
Seu comportamento à frente da gestão, bem como os de alguns apadrinhados, sugere que o interesse público pode ter ficado dele em várias questões, dando lugar a interesses pontuais e privados sob a influência do vereador.

Non grata

Maior prova disso é o pedido de exoneração dele do cargo, protocolado na Alesc semana passada e que seria aprovado sem sombra de dúvidas esta semana na Casa. Ou seja, o biguaçuense tornou-se persona non grata em um território onde deveria circular com força e naturalidade.

Cotação

O empresário Amandio João da Silva Junior, de Rio do Sul, que até o começo do ano era o adjunto do Desenvolvimento Econômico, está corado para assumir o posto-chave. Moisés da Silva, aliás, sangrou por demais antes de desvincilhar-se de Douglas Borba, que trouxe a crise para dentro do governo como uma enxurrada.

Timing

O governador deveria ter no mínimo afastado o ex-colaborador quando suas digitais surgiram com força em suspeitas gravíssimas já no caso do hospital de Campanha que seria instalado em Itajaí. Como assim não procedeu, Moisés da Silva se expôs novamente a brutal desgaste.

Rompante autoritário

Em vídeo conferência com empresários, Moisés da Silva conseguiu novamente atrair holofotes. Da forma mais negativa possível. Ele simplesmente fez um apelo aos empresários para que boicotem financeiramente as empresas de comunicação que, de acordo com o governador de Santa Catarina, “está fazendo tudo errado.” Moisés da Silva também chegou ao cúmulo do absurdo, sugerindo ao grupo de interlocutores que a imprensa estadual não seria decente.
É a velha, manjada e ineficaz prática de tentar culpar o mensageiro pelo teor da mensagem. Ao que consta até aqui, não foi a imprensa que comprou respiradores superfaturados de uma empresa de fundo de quintal, pagando a fortuna de R$ 33 milhões antecipadamente e sem qualquer garantia.
Antes desse escândalo, o governador se viu obrigado a suspender o contrato para instalação de um hospital de campanha em Itajaí. Custaria o mimo de R$ 77 milhões enquanto hospitais de campanha sugeridos pelo Ministério da Saúde alcançam, no máximo, R$ 10 milhões. Obviamente que havia um problema grave nessa operação. Também não há notícia de que jornalistas ou empresas de mídia tenham estado na linha de frente da nebulosa condução daquele episódio.

Cego em tiroteio

No contexto geral o governador também vai muito mal. Está absolutamente perdido, sem noção. Encastelou-se no palácio residencial, não interage com os segmentos empresariais, não recebe prefeitos, deputados, enfim, não há o mínimo diálogo com quem representa setores importantes e estratégicos da sociedade catarinense.
m campo

Uma força-tarefa que envolveu o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) e a Polícia Civil realizou na manhã deste sábado (9/5) a Operação Oxigênio, que cumpriu 35 mandados de busca e apreensão e confisco de bens em quatro Estados: Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso. Em linhas gerais, a força-tarefa identificou um sofisticado esquema de corrupção, com participação de agentes públicos e privados, no contexto da compra dos 200 respiradores pela bagatela de R$ 33 milhões. Também já está mais do que claro que a tal empresa não tinha condições de atender a contrato desta natureza e que o governo catarinense não se cercou das mínimas garantais necessárias para o negócio.

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