Os produtores locais querem a suspensão da importação do alho argentino e acusam a prática de dumping comercial
FOTO: Paula Rodrigues/Embrapa
Impactos da importação na produção de alho
As dificuldades da cadeia produtiva do alho, cultura tradicional das regiões serrana e meio-oeste, foi o principal assunto da reunião da Comissão de Agricultura.
Os produtores locais querem a suspensão da importação do alho argentino e acusam a prática de dumping comercial.
O coordenador da Câmara Setorial do Alho da região de Curitibanos, Itamir Gasparini, fez uma detalhada exposição sobre as implicações das importações do produto para a redução da área de plantio e o aumento do endividamento dos produtores em Santa Catarina.
Relato de produtores e articulação política
Gasparini esteve nesta segunda-feira (23) em Brasília, participando de reunião para tratar do que ele classifica como “crise do alho” com o Ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Paulo Teixeira.
Ele retornou a Curitibanos em tempo, para atender convite do deputado Berlanda (PL), que presidiu a reunião da Comissão por deferência do presidente do colegiado, deputado Altair Silva (PP).
Gasparini lembrou que o alho roxo se tornou cultura tradicional a partir da década de 1970, quando foi introduzido no município de Frei Rogério pelo imigrante Takashi Chonan.
Ganhou expressão na agricultura familiar das pequenas propriedades como cultura de inverno e levou Santa Catarina à condição de maior produtor nacional.
Redução da produção e desafios econômicos
Apesar da evolução das técnicas produtivas, a concorrência causada pela importação provocou a redução de área plantada e a redução de famílias dedicadas à cultura.
O Estado caiu para a terceira posição em nível nacional.
Os produtores alegam que há frequentes desrespeito às normas da portaria 435 do Ministério da Agricultura (MAPA), que trata de padrões de regulamentação para a importação do alho.
O resultado é que a área de plantio caiu de 2,4 mil hectares na safra 2018/2019 para 656 hectares na safra 2024/2025. E a redução é histórica, pois nos anos 90, eram cerca de 5 mil hectares plantados.
Ainda assim a produtividade cresceu, com apoio da assistência técnica da Epagri, saltando de 4 a 5 toneladas por hectare, para 12 a 14 toneladas.
“A questão é que há um mercado desleal na questão da importação”, pondera Gasparini. “A situação está causando endividamento, os contratos vão vencendo e o produtor renegocia dívidas com juros mais altos, entra num atoleiro, compromete seus bens, maquinários e rebanhos”.
Ele pediu apoio da Alesc para reforçar a luta por créditos subsidiados e controle do dumping, prática que ele define como condições artificiais para a concorrência do produto importado.
Propostas e encaminhamentos da Comissão
O deputado Padre Pedro Baldissera (PT) sugeriu que a Comissão verifique a possibilidade de cobrar a restituição de benefícios fiscais previstos na Lei 17.721, de 2019, criada para preservar produtores catarinenses da importação de alho vindo da Argentina.
Defesa da sanidade animal
O representante da Cidasc de Caçador, Luis Felipe Bratti, falou sobre a força do agronegócio catarinense, responsável por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e 65% das exportações do Estado.
Ele destacou a importância da Cidasc para a defesa agropecuária e a garantia do controle sanitário que resulta em status comercial de Santa Catarina no mercado mundial. “Sem a defesa agropecuária essa força não se sustenta”, advertiu.
A Cidasc tem estrutura capilarizada em 19 regiões e atua em todos os municípios, atuando em barreiras nas divisas estaduais, fazendo a prevenção e proteção no trânsito de animais e produtos do agro “lado a lado com o produtor”.
Atuação da Epagri no meio rural
O representante da Epagri em Videira, Edilson Moreira, falou sobre a missão da extensão rural, de levar o conhecimento ao produtor e sua família, criando um modelo de excelência em pesquisa agropecuária, gestão e ensino, estimulando a competitividade e a sustentabilidade.
Ele destacou a eficiência de programas como o Terra Boa, que garante sementes de milho com custos subsidiados, análise de solo e fornecimento de calcário, kits de forrageiras e o incentivo à apicultura. Valorizou o Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR) que oferece acesso ao crédito com o chamado “juro zero”, e valorizou a ação das gerências técnicas e regionais da Epagri, , os centros de treinamentos e cursos de capacitação de jovens e mulheres.
Moreira destacou que o governo está prestes a lançar o SC Rural 2 em parceria com o Banco Mundial, garantindo o financiamento de 150 milhões de dólares para investimentos no meio rural nos próximos cinco anos, grande parte em apoio direto aos produtores com juros subsidiados.
Alesc explica
Os impactos da importação de alho e as dificuldades enfrentadas pelos produtores catarinenses.
Concorrência desleal, redução da área de plantio e aumento do endividamento.
Controle do dumping, acesso a crédito subsidiado e revisão de benefícios fiscais.






