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Cooperativismo no oeste de SC

No início da segunda metade do século passado, o grande oeste de Santa Catarina era uma região esquecida, sem infraestrutura nem serviços públicos, cuja rala densidade econômica resumia-se aos ciclos da extração da madeira e da erva mate. A ação do Estado nessa região somente seria percebida a partir de 1963, com a criação da Secretaria dos Negócios do Oeste, no Governo Celso Ramos.

Uma doutrina começou a surgir, estimulada por lideranças regionais preocupadas com a necessidade de uma matriz econômica mais promissora: o cooperativismo. Os ideais de gestão democrática, liberdade de adesão, valorização do trabalho na proporção do esforço de cada um, defesa de interesses coletivos e fé nas possibilidades do associativismo foram, paulatinamente, compreendidos e assimilados por várias categorias econômicas.

Foi no campo que frutificou a primeira fase do processo histórico de surgimento e consolidação do cooperativismo. Produtores, trabalhadores e empresários rurais se uniram em cooperativas agropecuárias. Estas, criaram condições para o financiamento de insumos agrícolas, assistência técnica e extensão rural, busca de crédito rural, recebimento e comercialização da produção em busca da melhor remuneração dos associados.

Contribuiu nessa construção certo determinismo geográfico. As etnias dos colonizadores eram vocacionadas para a cooperação. A topografia acidentada determinou a divisão em milhares de minifúndios. A estrutura minifundista do oeste e a ocupação do espaço territorial por centenas de milhares de famílias de pequenos agricultores foram elementos determinantes para o sucesso do discurso associativista. Essa frágil estrutura econômica encontrou no cooperativismo uma fórmula bem-sucedida de defesa e fortalecimento. Ainda hoje, o ramo agropecuário é o mais expressivo do conjunto do cooperativismo catarinense, respondendo sozinho por mais de 60% do PIB do setor.

Graças ao modelo cooperativista, o agronegócio catarinense supera dificuldades e apresenta resultados muito acima da média das demais atividades econômicas do País. Fato extremamente significativo é que a organização dos pequenos produtores rurais em cooperativas permitiu, desde o início, permanente atualização tecnológica. O campo está muito à frente da cidade em emprego de tecnologia de ponta. Do plantio à colheita e comercialização estão presentes as tecnologias avançadas, incluindo inteligência artificial, máquinas computadorizadas, drones, caminhões autônomos, dados na nuvem e biotecnologia.

O sucesso da cooperação no campo espraiou-se para todas as áreas da atividade humana. Os ramos de crédito, transporte, saúde (trabalho médico), consumo e infraestrutura (eletrificação rural) são outros exemplos vitoriosos de cooperativismo.

Depois de quatro décadas trabalhando em cooperativas, testemunhei que o cooperativismo tem uma importância transcendental e contemporânea para o desenvolvimento do grande oeste catarinense. Atua como um modelo que influencia investimentos e inspira a permanente busca da eficiência e da competitividade. Historicamente, os paradigmas econômicos de gestão cooperativa têm como compromisso e desafio promover o desenvolvimento sustentável das organizações, gerando valor para o empreendimento cooperativo, para os cooperados, para o meio ambiente e para a sociedade envolvente.

É notório que, no ambiente cooperativista, o conhecimento aplicado e compartilhado é fator essencial para o sucesso dessas organizações em um mercado cada vez mais hostil e competitivo. Essa assertiva é fundamental nesses novos tempos em que todos os setores enfrentam todos os dias mudanças disruptivas e movimentos de transição para patamares tecnológicos mais elevados.

O cooperativismo praticado no grande oeste é ético e sustentável, é moderno e inovador, é arrojado e eficiente. Um orgulho para o Brasil. Aqui, cooperativa é mais que uma doutrina, é mais que um modelo de negócios – é sinônimo de renda, emprego, qualidade de vida, prosperidade e futuro.

Mário Lanznaster, presidente da Cooperativa Central AURORA ALIMENTOS e vice-presidente para o agronegócio da FIESC

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