Blog do Prisco
Coluna do dia

CPI a todo vapor

Os primeiros cinco depoimentos presenciais na CPI dos Respiradores, na Alesc, duraram mais de seis horas. Um formato que gerou certa controvérsia e desconforto entre integrantes da Comissão.

Tanto que na próxima segunda-feira haverá reunião virtual entre os deputados da CPI para alguns ajustes, buscando encontrar maneiras de tornar o trabalho mais ágil para se coletar informações substanciosas sobre o escândalo dos R$ 33 milhões pagos adiantados e sem qualquer garantia por 200 equipamentos chineses.

Também na semana que vem, tudo indica que os ex-secretários Helton Zeferino (Saúde) e Douglas Borba (Casa Civil) serão chamados à Assembleia para prestarem seus depoimentos. Assim como a servidora Márcia Pauli, ex-superintendente de Administração da Secretaria de Saúde.

Ainda não há definição se a acareação entre os três já acontecerá na semana que vem. Apesar das dificuldades, surgiram dados reveladores nesta primeira rodada de inquirições.

Descolando

O advogado Leonardo Barros, intimamente ligado a Borba, procurou dar uma descolada do amigo e colega causídico. Ele tentou mostrar que talvez não estivesse tão alinhado ao ex-todo poderoso chefe da Casa Civil. Ao mesmo tempo, contudo, Barros reconheceu que dispunha de trânsito livre nas pastas da Saúde, Casa e Defesa Civil do Estado. Contraditório, portanto.

Surpresa

Agora, surpreendente mesmo foi a revelação do advogado, de que a empresa carioca que firmou o contrato espúrio, escandaloso com o governo estadual, tinha feito uma proposta inicial diferente daquela conhecida por todos nós: ela pediu o pagamento adiantado de “apenas” 50% do valor do negócio. Outros 25% seriam pagos na entrega da primeira remessa de respiradores e o restante, no mesmo percentual, na segunda leva de equipamentos.

Como?

Mesmo assim, o governo de Santa Catarina resolveu pagar 100% adiantados. E sem qualquer garantia. Estranho, pra dizer o mínimo!

Via imprensa

Outra informação preciosa veio da diretora de Licitação e Gestão da Secretaria de Administração, Karen Bayestorff. Ela revelou que ficou sabendo da compra dos respiradores pela imprensa! Vejam só, leitores e leitoras, que governo azeitado, entrosado, integrado!

Operação Alesc

Paralelamente à CPI, o governo pisou no acelerador. Está a 100 Kms por hora tentando se aproximar, se articular com os parlamentares estaduais. Consta que Moisés da Silva convidou Júlio Garcia, presidente da Assembleia, para almoçar na terça-feira. O convite foi aceito e o ágape teria sido produtivo.

Alô, Moisés

Até um telefone está sendo colocado à disposição para os parlamentares conseguirem acesso direto ao governador do estado. Vejamos se a estratégia vai funcionar.

O fator MDB

Ao que tudo indica, Moisés da Silva estaria disposto a procurar os parlamentares e concretizar uma aproximação. Especialmente para tentar trazer o MDB à base governista. Asseguraria, assim, nove preciosos votos que se somariam aos 11 já alinhados, ou seja, metade dos 40 votos da Alesc.

Fazendo doce

Num primeiro momento, o MDB diz que não quer papo, etc e tal. Mas sabemos muito bem como essas coisas funcionam, caminham e se desenvolvem. Se eventualmente o MDB perceber que o governador corre mesmo risco de ficar pelo caminho, o partido vai ajudar a salvar a nau mosaica do naufrágio. Até porque, o  MDB está levando a pecha de que tem ligações com o governo – e tem mesmo, basta olhar o histórico do novo secretário de Comunicação e tantas outras posições na máquina estadual – e também porque o próprio Moisés da Silva trabalhou na Secretaria de Justiça durante o governo Raimundo Colombo. Na cota do MDB!

Siameses

Então, não tem jeito. O atrelamento existe e o prejuízo virá de qualquer maneira ao MDB. Caso a turma do Manda Brasa largue o governador às feras, os maiores beneficiários serão os senadores Esperidião Amin, representando a tradicional política catarinense; e Jorginho Mello, os dois eleitos em 2018. Mello, aliás, elegeu-se às custas do MDB e depois abandonou o partido, alinhando-se a Jair Bolsonaro.

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