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Dia D

Agora é oficial. O Tribunal Especial do Impeachment terá sessão deliberativa no dia 23 de outubro quando deputados e desembargadores votarão o relatório do deputado Kennedy Nunes (PSD), que pede o afastamento prévio por até 180 dias do governador e da vice.

Naquele dia, decisivo para Santa Catarina, tanto o denunciante, o advogado Ralf Zimmer Junior, quanto os denunciados, Moisés da Silva e Daniela Reinehr, poderão se pronunciar perante a corte especial. Pessoalmente ou através de seus advogados. Depois disso, o relator lerá o seu texto. Aí será possível observar se haverá algum voto divergente, por exemplo, vindo de um dos cinco magistrados que compõem o colegiado.

Ontem, Kennedy Nunes entregou o relatório ao presidente do Tribunal Especial, desembargador Ricardo Roesler, que também preside o Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

A sequência de votação para o dia 23 será a seguinte: o primeiro voto é o do relator. Na sequência, vem o desembargador mais antigo da corte do impeachment; em seguida, o deputado com mais mandatos e assim sucessivamente.

Alternância do voto

Será alternada, portanto, a ordem de manifestações dos juízes (deputados e desembargadores).

Se os cinco deputados votassem primeiro, por exemplo, poderia até se imaginar um clima psicológico a favor da degola, como se viu no plenário da Alesc. Mas não será o caso neste formato de votação.

Posição de Julio Garcia

O presidente da Assembleia, Júlio Garcia, se manifestou sobre as acusações do Ministério Público Federal contra ele. Tardiamente, mas deu seu posicionamento diretamente da Mesa Diretora da Alesc. Falou aos seus pares e, por consequência, à sociedade catarinense.

Cara pra bater

A imprensa vinha cobrando a fala do deputado sobre esta situação, assim como fez com Moisés da Silva lá atrás, no caso dos respiradores, quando ele mergulhou, despareceu.

Exemplo de Gean

Interessante lembrar que na Operação Chabu, que manteve preso por algumas horas o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, a postura do alcaide foi absolutamente proativa e correta. Na manhã seguinte, Gean estava em todas as emissoras de TV e rádio, sites, jornais, falando abertamente sobre o caso. É por aí. Autoridades têm o dever de dar a cara pra bater.

Julio Garcia veio a público 21 dias depois da primeira denúncia do MPF.

Histórico

O presidente da Assembleia relembrou de algumas operações feitas no passado pelo mesmo Ministério Público Federal e que não deram em nada. Recordou de uma delas que redundou na prisão de vários e importantes empresários. Que tiveram suas reputações atingidas. Posteriormente, todos foram absolvidos.

Viés político

Júlio Garcia também afirmou que “nada de verdade há na acusação do MPF. É perseguição indevida e inconsequente. Deixaram de lado, há muito, a sua imparcialidade para buscar a qualquer preço a condenação pública e antecipada.”

Tradição

A narrativa do presidente da Alesc, no geral, é a utilizada por personalidades acossadas pelas autoridades investigativas. O de perseguição política e a responsabilização de setores da mídia pelos fatos quando, na verdade, a mídia divulga aquilo que é público depois que o sigilo do processo foi quebrado.

Respaldo

Depois do discurso, Júlio Garcia ouviu a manifestação de 14 deputados em seu apoio. Eles representaram 10 bancadas da Alesc. Só não o PT, o Novo e o PCdoB não respaldaram o presidente da Alesc.

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