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“Eu não estou fazendo isso (reformas) para salvar o caixa do governo”

ENTREVISTA: GOVERNADOR RAIMUNDO COLOMBO – PARTE 2

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Hoje, o blog do Prisco publica a segunda parte da entrevista que o governador João Raimundo Colombo concedeu de maneira exclusiva, abordando vários temas. Dos administrativos aos políticos. O pessedista deixou claro que está disposto a enfrentar as resistências, seja no funcionalismo, seja na Assembleia, aos projetos de reforma administrativa que estão sendo concluídos e serão encaminhados ao Parlamento catarinense. Colombo alerta que, se a previdência dos servidores públicos não sofrer uma reestruturação, o sistema vai quebrar. O governador admite que a carga tributária é muito pesada e que os serviços não têm qualidade, defendendo com veemência a necessidade de uma reforma política. “Senão, vai piorar.” O líder lageano também revela que as mudanças que pretende implementar no governo serão fatiadas, admite que pode ser candidato ao Senado em 2018, ameniza a pressão que sofre por parte do PMDB, mas considera “ruim” o fato de o processo sucessório já ter sido deflagrado justamente por seu vice-governador, Eduardo Pinho Moreira (PMDB). Ele também se mostra muito preocupado com o nebuloso cenário nacional. E avisa ao colegiado e aos aliados que os cortes nos gastos serão ampliados. O próprio governador está analisando, um a um, os 11,2 mil contratos que o Estado possui. Muitos serão revistos e até encerrados. Estes e muitos outros temas foram abordados durante a conversa. Ontem (dia 4), foi publicada a primeira parte. E nesta sexta-feira (6 de março) a terceira e última parte estará disponível.

Blog do Prisco – Em que pé está essa negociação (com os servidores, já que o senhor avalia que a previdência do Estado, do jeito que está, vai quebrar)?

Colombo – Nós vamos levar a todos os funcionários. Vamos apresentar os números, a dificuldade, e o que precisa ser feito. A partir de março. Nós já temos todos os números, já terminamos nossos estudos. Já tomamos várias medidas importantes. Em várias empresas, fizemos um plano de demissão incentivada, já aplicamos no ano passado e neste ano já começa a ter uma curva descendente. Ali, nós já vamos ter um refresco significativo. Já saiu ( o PDVI) da Ciasc e da Epagri. Vamos fazer um plano de compactação de órgãos para gerar economia.

Blog do Prisco – Então, não vai nenhum projeto à Assembleia antes dessa discussão prévia?

Colombo – Essa discussão prévia é em relação à previdência. Tem alguns projetos que dependem só da gente. Por exemplo, fundir Agesc e Agesan, Codesc e SC parcerias é uma questão de economia que não acredito que alguém seja contra, a não ser as próprias pessoas que trabalham nesses órgãos.

Blog do Prisco – O senhor já enviou os projetos à Alesc?

Colombo – Estamos concluindo os projetos.

Blog do Prisco – E o corte nos comissionados?

Colombo – O corte nos comissionados eu já fiz, porque eu não preenchi as vagas. São mais de 500 vagas e também estamos estudando uma questão de gratificação no magistério que dá mais de 1 mil e poucos (funções).

Blog do Prisco – E a ideia é mandar isso tudo num pacote para a Alesc?

Colombo – A ideia é ir fatiando. Aos poucos. É uma reforma de Estado e não uma reforma de governo. Se você manda num pacote, você junta todo mundo que é contra.

Parte 2aBlog do Prisco – Agora, a base aliada está meio reagindo, há um desconforto. Isso pode prejudicar?

Colombo – Ninguém quer tomar posição para ser vaiado, pra ser desgastado, é claro. Mas tem que fazer isso, tem que fazer.

Blog do Prisco – Sua disposição (fazer cortes e ajustes) continua inabalável então?

Colombo – Exatamente igual.

Blog do Prisco – Já conversou com os deputados, com os líderes?

Colombo – Já. Tenho explicado isso. Eu volto a dizer, ah, ele (falando dele mesmo) está fazendo isso porque tem que honrar seus compromissos. Não, eu estou fazendo medidas que vão ter efeito daqui a cinco anos. Ou a gente faz isso agora, ou não faz mais. O Vilson Kleinubing (ex-governador), por exemplo, tomou uma série de medidas importantes. Isso fez com que Santa Catarina fosse um dos Estados mais equilibrados (do ponto de vista contábil). Ele foi vaiado, ele foi injustiçado, ele foi incompreendido. Mas nós devemos muito a ele. Por exemplo, ele limitou um valor máximo nos triênios. Se não tivesse feito isso, a nossa folha hoje seria muito mais cara. Teria estourado. O que pode acontecer é a Assembleia rejeitar. Daí é uma questão da consciência de cada um. Eu não estou fazendo isso para salvar o caixa do governo. A proposta é arrumar o governo para os próximos 30 ou 50 anos.

Blog do Prisco – Na semana passada, houve um fato que chamou a atenção. Um deputado do PMDB (aliado maior do PSD) convidou o secretário de Educação para explicar a Medida Provisória do setor na Alesc. Há uma crise, uma dificuldade com o PMDB?

Colombo – Não, nós não temos nenhuma dificuldade de explicar nossas decisões, por que a gente vai lá e esclarece. Não é uma convocação que nos intimida. A verdade é o seguinte: em algum momento, deram aos ACTs todos os privilégios de quem é efetivo. Inclusive a acumulação de tempo de serviço, o que é um absurdo. Isso é ilegal. ACT é temporário e tem legislação própria. Estamos corrigindo isso. Por outro lado, o piso dos professores, e o piso é uma coisa que num primeiro momento empolgou, mas agora virou um problema. Porque você subiu a base, o que é justo, ninguém está contra, mas você aproximou muito do teto. Nós saímos de 1,5 bilhões para 3 bilhões de folha, no limite prudencial. Quem está acima, que é qualificado e deveria ter um salário maior, achatou. Você precisa fazer agora o jogo inverso. O pessoal do piso agora dá uma segurada e o que pessoal da ponta precisa receber o benefício. Dinheiro novo não tem, então você tem que deslocar (os recursos) fazendo medidas administrativas. É exatamente esse o movimento e é justo. Por exemplo, no piso dos professores, não está incluída a regência de classe. A regência de classe, ela universalizou, quem está em aula, quem não está em aula, quem está de férias, quem está de licença-prêmio (todos recebem), então não é mais uma regência de classe. É um salário. Nós queremos incorporar isso. Aí o piso sobe. É o que a gente vai fazer com esse dinheiro. Passa para a outra ponta e incentiva quem está na sala de aula. Porque é um negócio maluco, a gente contrata um professor e incentiva ele para sair da sala de aula. Daí contrata ACT para a sala de aula.

A gente quer criar um mecanismo que realmente incentive aquele professor que está em sala de aula. Criando uma nova regência de classe. Estamos dispostos a colocar mais dinheiro. Nosso movimento está correto. Se ele vai ter a compreensão ou não, eu não sei. Mas eu falo com muitos professores que compreendem. Na verdade, ninguém quer enfrentar a impopularidade daqueles que não compreendem.

Blog do Prisco – Acerca de impopularidade. A presidente Dilma enfrenta uma situação delicada. No próximo dia 15 vamos ter uma manifestação nacional, o Fora Dilma. Como o governador aprecia essa situação. Tem conversado com ela?

Colombo – Estive esses dias em Brasília. Conversei longamente com ela, tenho uma amizade com ela, e a gente troca muitas informações. Não é uma questão partidária, é sempre no sentido de ajudar Santa Catarina. As obras aqui e as ações aqui. Sempre tive dela o maior respaldo.

Impopularidade. Às vezes você tem, às vezes você não tem. Você não pode é perder a credibilidade. Esse fenômeno não diz respeito apenas à presidente Dilma. Que eu reconheço que há um momento da sociedade (de desgaste para a presidente). Porque os caminhoneiros não percorreram o caminho natural que seria através dos líderes sindicais, das instituições sindicais? Porque eles também estão impopulares. Então não é só o governo que está impopular. A perda de credibilidade é de todos os segmentos. E a sociedade resolveu, como em junho de 2013, mostrar que está insatisfeita. Isso é uma coisa natural e positiva. O risco é que isso vire uma anarquia e que isso prejudique a sociedade, até no direito de ir e vir como é o caso. A gente precisa agora ter muito diálogo, muito respeito, muito bom senso, muita transparência para que a gente possa superar essas dificuldades. O problema é o seguinte: a classe política como um todo está desgastada, em muitos casos está desmoralizada.