Blog do Prisco
Manchete

Fala do Papa é um belo recado à CNBB, braço da esquerda no Brasil

 

A manifestação do Papa Leão XIV é pertinente, oportuna e chega em excelente hora. E deveria provocar reflexão também dentro da Igreja brasileira, especialmente entre aqueles que confundem a necessária presença cristã na vida pública com militância político-partidária.

Ao retornar da França, Leão XIV estabeleceu uma diferença fundamental: defender a vida, a dignidade humana e os princípios da Doutrina Social da Igreja não significa transformar a Igreja em instrumento de um partido ou de uma corrente ideológica.

É uma distinção simples, mas necessária.

No Brasil, há décadas setores da Igreja Católica — e particularmente da própria estrutura eclesial — são criticados por uma aproximação maior com determinadas agendas políticas de esquerda. Essa percepção se torna ainda mais controversa quando movimentos e candidatos associados a essas correntes defendem posições que entram em choque direto com ensinamentos históricos da Igreja, como ocorre na questão do aborto.

A Igreja não precisa ser de direita. Tampouco deveria ser de esquerda.

Precisa ser Igreja.

Quando Leão XIV afirma que anunciar o Evangelho e defender a vida não é fazer política partidária, oferece uma referência importante também para a realidade brasileira. A missão religiosa não pode ser reduzida a cabo eleitoral, palanque ideológico ou instrumento de projetos de poder.

Há uma diferença enorme entre participar do debate público defendendo princípios e transformar o púlpito em extensão de uma preferência partidária.

O Papa deixa claro que a Igreja deve ter voz na sociedade. Aliás, diante de questões fundamentais envolvendo vida, família, dignidade humana e liberdade religiosa, seria estranho exigir seu silêncio. Durante a viagem à França, Leão XIV reforçou justamente o direito da Igreja de se manifestar publicamente sobre esses temas.

Mas uma coisa é proclamar princípios cristãos. Outra, bastante diferente, é selecionar partidos e candidaturas aos quais esses princípios aparentemente deixam de ser cobrados.

Talvez esteja aí o ponto mais importante do recado.

A Igreja não deveria adaptar o Evangelho à política.

É a política que, quando pretende falar em nome dos valores cristãos, deveria ser confrontada com o Evangelho.