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Fórum reúne mais de 80 dirigentes de cooperativas catarinenses em Blumenau

“Economia e Reforma Tributária” foram os principais temas abordados na 7ª edição do Fórum Catarinenses de Dirigentes Cooperativistas, realizado no último fim de semana, em Blumenau. Realizado pela OCESC (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina), em parceria com o SESCOOP/SC (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo), o evento reuniu mais de 80 dirigentes de cooperativas de diferentes ramos, com o objetivo de capacitar e integrar os gestores, discutindo as perspectivas para o cooperativismo neste e nos próximos anos. O Fórum também contou com a presença do superintendente da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), Renato Nobile.

“O Fórum dos Dirigentes já se consolidou no calendário da OCESC e do SESCOOP/SC, pela importância que vem tendo nesses seis anos de existência. Cada ano ele vem crescendo e se consolidando. Além das palestras, muito relevantes para entendermos o nosso cenário atual e futuro, é uma maneira de integração”, comentou o presidente do Sistema OCESC, Luiz Vicente Suzin.

Comentando a situação atual da economia nacional e internacional, o palestrante José Roberto Mendonça de Barros, economista, que já atuou como secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, entre 1995 a 1998, e Secretário Executivo da Câmara de Comércio Exterior da Presidência da República, em 1998, desenvolveu sua fala abordando as perspectivas para o futuro do agronegócio e os impactos da possibilidade de uma reforma tributária no país.

Para ele, o cooperativismo catarinense deve continuar crescendo, mesmo com a expectativa de pouco crescimento para o Brasil neste ano. Confira abaixo entrevista com o palestrante:

Quais os principais temas abordados no Fórum dos Dirigentes?

Trouxe quatro mensagens para discutirmos. Do ponto de vista do mundo como um todo, nós estamos vivendo uma desaceleração e muita incerteza. O centro da incerteza é uma disputa enorme entre a China e os Estados Unidos. Mas quero mostrar também que, por conta dessa disputa, o Brasil está se tornando um fornecedor ainda maior, e se tornará ainda maior e preferencial, da China, no que tange alimentos. E isso é bastante positivo para nós.

Aqui dentro, na economia em geral, o que tem de ruim é que o ano, do ponto de vista de crescimento, está perdido. Vamos crescer muito pouco, menos de 1%. O mercado de trabalho está muito ruim, e, com isso, a atividade econômica está fraca. Demanda de bens e consumo está fraca, incluindo de alimentos, o que afeta todos os setores aqui envolvidos. Entretanto, com relação ao agronegócio está acontecendo uma coisa extraordinária: nesses últimos anos, de uma crise notável, o único setor que cresceu foi da agropecuária. Por que cresceu? Porque tem base em tecnologia, gente boa, disputa mercado nacional e internacional, mas é o único. De 2014 a 2018, a construção civil caiu 27%, a indústria caiu quase 15% e a agropecuária cresceu 14%.

Finalmente, a questão da reforma tributária. O Brasil precisa disso, todo mundo está de acordo, mas não tem consenso. Tanto é que têm cinco projetos de reforma tributária que vão disputar o Congresso. Acho que isso vai acabar sendo aprovado, mas eu acho que vai demorar. Vamos ter que conter um pouco a ansiedade, porque, ao contrário da reforma da previdência, que foi até rápido para discussão no Congresso, a tributária acho que vai para o ano que vem.

Como o Sr. observa a questão do cooperativismo, especialmente em Santa Catarina?

Do ponto de vista do agronegócio, seu sucesso não poderia ser explicado sem a participação do cooperativismo, especialmente na região Sul do país, onde ele é dominante e é o que permite propriedades majoritariamente médias e pequenas consigam produzir e gerar renda. Então, acho fantástico. Deve continuar essa trajetória de crescimento. Também têm grandes oportunidades o cooperativismo de crédito, com a redução dos juros e o aumento da competição no mercado de crédito. É uma coisa transformadora e uma oportunidade realmente histórica que não tenho dúvida que será aproveitada pelo setor.

A minha perspectiva é a melhor possível e Santa Catarina tem, do ponto de vista da agropecuária, a melhor agropecuária de pequenas e médias propriedades do Brasil. Também é exportadora, vai se beneficiar com o evento da China, já está se beneficiando. Os preços do suíno subiram muito neste ano depois de alguns anos de crise. Então, acho que as perspectivas para a agropecuária de Santa Catarina, a despeito dos problemas da economia urbana do Brasil, em geral, são muito boas.

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