Blog do Prisco
Manchete

Gargalhada evidencia um Supremo que não se dá ao respeito!

A imagem vale mais que mil palavras. Cristiano Zanin, Alexandre Moraes, Gilmar Mendes e Edson Fachin às gargalhadas ao final da sessão de ontem do Supremo Tribunal Federal — um tribunal que deveria ser a última guarida da Constituição, reduto de seriedade institucional e imparcialidade. Mas ali, em plena luz do dia, o que se vê não é um tribunal. É o circo. É o deboche. É a confiança de quem sabe que pode fazer o que bem entender porque não há quem os fiscalize.

Cristiano Zanin. O advogado de Lula quando de sua condenação por nove magistrados diferentes em três instâncias do Judiciário. O homem que carrega os interesses presidenciais até os corredores da Corte Suprema. Ali, lado a lado com os ministros, testemunhando, rindo, cúmplice. Porque qual era o motivo dessa sessão? Uma pauta previamente estabelecida, nada extraordinário. Aquela não era uma sessão para discutir o escândalo de corrupção que chocou o brasileiro, enchendo-o de indignação. Aquela não seria uma oportunidade para que o Supremo começasse a restaurar sua credibilidade destruída. Não. Era apenas mais um dia de trabalho, e eles estavam ali, rindo como se partilhassem um segredo delicioso ao qual o resto da Nação não tem acesso.

Porque, de fato, possuem um segredo. E a questão incômoda é: o que representam, essas gargalhadas? Descontração num momento delicado? Improvável. O Brasil não está descontraído. A credibilidade do Supremo não está em situação de leveza. O povo não está rindo. Mas eles estão. Então isso é o quê? É cinismo puro. É a certeza de que o esquema já está montado, as peças já estão posicionadas e ninguém vai conseguir fazer absolutamente nada. É a gargalhada de quem sabe que a absoluta promiscuidade moral — Alexandre Moraes atuando simultaneamente como magistrado, advogado e conselheiro de criminosos — não resultará em nada além de mais risadas nos corredores do STF. Vale ressaltar que este ministro, na condição de presidente do TSE, conduziu as últimas eleições de forma tendenciosa e capciosa, favorecendo o atual inquilino do Palácio do Planalto.

Pois essa é a realidade que deve incomodar qualquer cidadão consciente: enquanto Alexandre Moraes participava de um dos maiores escândalos financeiros da história republicana brasileira, ninguém fazia absolutamente nada. E, quando finalmente a exposição veio à tona, o que mudou? Nada. Exceto, talvez, a segurança de que tudo já estava acertado.

Os encontros revelam a engrenagem. Gilmar Mendes e Edson Fachin foram ao Palácio do Planalto na terça-feira. Fachin, porque Lula o chamou e disse — bem claramente, por sinal — que há uma crise no Supremo que pode afetar sua reeleição. Deixando claro: sua preocupação não é com a instituição, com a separação de Poderes, com a harmonia que deveria existir entre os Três Poderes. Sua preocupação é com um quarto mandato. Um quarto! E há um tribunal, que deveria ser a guarida da República, correndo para o Palácio do Planalto a fim de resolver o problema “presidencial”.

Gilmar Mendes, o “decano”, fez diferente. Não esperou pelo convite formal. Foi ao encontro de Lula cobrar providências sobre a Polícia Federal, que, segundo sua versão, não está sendo controlada pelo governo. Leia bem: um ministro do Supremo foi cobrar do presidente por quê? Porque o governo deveria ter impedido que a PF atendesse às solicitações do ministro André Mendonça. Gilmar Mendes — aquele que mantém um instituto que lucra com contratos do governo federal, dos Estados ou de qualquer ente público que queira agradar à toga — foi dar um peitaço no presidente. Lembrando que o ministro Gilmar Mendes declarou em outubro de 2023 que a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se deveu a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

E aqui chegamos ao cerne da corrupção institucional. Que legitimidade tem Lula para exigir compostura de um tribunal? Um homem condenado por crimes de corrupção que foi descondenado convenientemente pelo mesmo tribunal que o libertou da prisão. Um presidente que só chegou à Presidência porque aquele tribunal precisava impedir a reeleição de Jair Bolsonaro. Um Lula cuja vida inteira é marcada por esquemas de corrupção — do mensalão aos crimes de caixa 2 e ao loteamento do Estado —, descondenado por gesto político disfarçado de decisão judicial. Um presidente que não pode olhar para um ministro e falar de ética institucional, de soberania do Judiciário, de independência dos Poderes, porque cada célula do seu corpo é um reconhecimento tácito de que está ali não por legitimidade, não por voto genuíno do povo, mas por favor de toga. Lula não é presidente por direito. É presidente por concessão. É presidente porque o Supremo precisava dele no Palácio para proteger a si mesmo. É isso que o protege. É isso que motiva essas conversas não de princípios, mas de interesses. De aliança. De corrupção institucional pura e simples. Um criminoso negociando com seus salvadores.

Essa é a engrenagem. Essas são as gargalhadas. E essa é a verdade que explica por que, enquanto o Brasil pensa estar sob o Estado de Direito, está, na verdade, sob o Estado de Favor.